segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pequeno recesso...

Olá galera...

Saudades de postar aqui no blog. Mas vocês sabem que não é fácil trabalhar, estudar e escrever boas postagens ao mesmo tempo né? Bom, agora com esse tempinho livre, vou procurar escrever algumas postagens e partilhar com vocês alguns momentos marcantes nesse primeiro período na Universidade. Aguardem.

Abraços a todos...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Polêmica em relação a erros gramaticais em livro didático de Língua Portuguesa

Olá pessoal,

Ultimamente, pudemos presenciar uma polêmica referente à "erros" de português vinculados num livro didático aprovado pelo MEC. Várias pessoas manifestaram suas opiniões, tais como jornalistas, bloggeiros advogados e professores de língua potuguesa. No entanto, pouca foi a divulgação dos profissionais e estudiosos da área, os linguistas; o que a ser até bizarro, pois são eles os que tem propriedade para falar do assunto. É como se tivéssemos uma rachadura na parede e chamássemos um médico para consertar o estrago.
Abaixo, segue um texto da Associação Brasileira de Linguística Aplicada, respondendo as críticas feitas ao livro. Confiram e percebam a visão de quem realmente entende do assunto.

Polêmica em relação a erros gramaticais em livro didático de Língua Portuguesa revela incompreensão da imprensa e população sobre a atuação do estudioso da linguagem

A divulgação da lista de obras aprovadas pelo Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD) para o ensino da língua portuguesa na Educação de Jovens e Adultos (EJA) provocou verdadeiro celeuma na imprensa e comunidade acadêmica sobre a aprovação de obras com “erros” de língua portuguesa.
Frases como “Nós pega o peixe”, “os menino pega o peixe”, “Mas eu posso falar os livro” e outras que transgridem a norma culta, publicadas no livro Por uma Vida Melhor, aprovado pelo PNLD e distribuído em escolas da rede pública pelo MEC, causaram a indignação de jornalistas, professores de língua portuguesa e membros da Academia Brasileira de Letras.
O grande incômodo, relacionado ao fato do livro relativizar o uso da norma culta, substituindo a concepção de “certo e errado” por “adequado e inadequado”, retrata a incompreensão da imprensa e população em relação ao escopo de atuação de pesquisadores que se ocupam em compreender e analisar os usos situados da linguagem.
A polêmica em torno deste relativismo, assim como a interpretação deturpada de pesquisas na área da linguagem, não é nova. Em novembro de 2001, na reportagem de capa da Revista Veja, intitulada “Falar e escrever bem, eis a questão”, Pasquale Cipro Neto dirigiu-se ofensivamente a pesquisadores da área de linguagem que defendem a integração de outras variedades no ensino de língua portuguesa como uma corrente relativista e esquerdistas de meia pataca, idealizadores de “tudo o que é popular – inclusive a ignorância, como se ela fosse atributo, e não problema, do "povo" (Fonte, Veja Online, consultada em 20.05.2011).
Mais de uma década após a publicação dos PCN e da instituição do PNLD de Língua Portuguesa, ambos frutos das pesquisas destes estudiosos relativistas, a imprensa e população continua a interpretar de forma deturpada a proposta de ensino defendida nas diretrizes curriculares e transpostas didaticamente nas coleções aprovadas no PNLD.
Tal deturpação ressalta um problema sério de leitura, muito provavelmente decorrente da prática cristalizada historicamente de se ensinar a gramática pela gramática, de forma abstrata e não situada. Pois, ao situar e inscrever as frases incorretas responsáveis por tanto desconforto no contexto concreto em que foram enunciadas, fica clara a intenção da autora de mostrar que precisamos adequar a linguagem ao contexto e optar pela variante mais adequada à situação de comunicação, preceito básico para participação nas diversas práticas letradas em que nos engajamos no mundo social.
Assim, ao contrário de contribuir para uma agenda partidária de manutenção da ignorância, acusação levianamente imputada ao livro e ao PNLD (e, portanto, aos estudiosos da linguagem), os “erros” em questão, se interpretados contextualizadamente e explorados de forma interessante em sala de aula, contribuem para o desenvolvimento da consciência linguística, mostrando que apesar de todas as variantes serem aceitáveis, o domínio da norma culta é fundamental para efetiva participação nas diversas atividades sociais de mais prestígio.
Se, portanto, situarmos a linguagem, não há razão para polêmica ou desconforto e a crítica daqueles preocupados em garantir o ensino da norma culta torna-se absolutamente nula, sem sentido. O niilismo desta crítica está claramente estampado no enunciado de Pasquale, citado naquela reportagem de uma década: "Ninguém defende que o sujeito comece a usar o português castiço para discutir futebol com os amigos no bar", irrita-se Pasquale. "Falar bem significa ser poliglota dentro da própria língua. Saber utilizar o registro apropriado em
qualquer situação. É preciso dar a todos a chance de conhecer a norma culta, pois é ela que vai contar nas situações decisivas, como uma entrevista para um novo trabalho". (Fonte, Veja Online, consultada em 20.05.2011)
A relativização veementemente criticada parece, por fim, ter sido tomada como verdade no interior do mesmo enunciado.
Dez anos depois vemos em livros didáticos a possibilidade de formar poliglotas na língua materna. Isso é, sem dúvida, um progresso. Resta ainda melhorar as leituras da população sobre os estudos situados da linguagem.
Neste sentido, a Associação de Linguística Aplicada do Brasil, expressa seu repudio a atitude autoritária e uníssona de vários veículos da imprensa em relação à concepção deturpada de “erro” e convida seus membros a se posicionarem nestes veículos de forma mais efetiva e veemente sobre questões relacionadas a ensino de línguas e políticas linguísticas, construindo leituras mais situadas, persuasivas e plurilíngues.
Indicamos abaixo o link para a notícia citada de 2001, assim como outros artigos e vídeos com o posicionamento de estudiosos da linguagem acerca da polêmica com os livros didáticos de LM.
Reportagem capa de Veja, novembro de 2001.
http://veja.abril.com.br/071101/p_104a.html
Nota da Ação Educativa http://www.acaoeducativa.org.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=2604&Itemid=2 Vídeo na ZHDigital (Entrevista com Prof. Pedro Garcez, UFRGS e Profa. Lúcia Piccoli, Unisinos http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a3315386.xml
Artigo do Prof. Marcos Bagno, UNB
http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=745
Artigo do Prof. Sírio Possenti, Unicamp
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5137669-EI8425,00-Aceitam+tudo.html (Sírio Possenti)

Paula Tatianne Carréra Szundy
Presidente da ALAB, biênio UFRJ 2009-2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Oração - A banda mais bonita da cidade

Pessoal,

Encontrei um vídeo lindíssimo na internet essa semana e, como toda boa produção cultural que encontro na net, vim dividí-la com vocês. Esse clipe caseiro foi produzido por uma banda curitibana chamada A Banda Mais Bonita da Cidade e virou hit na web a partir desta quinta (19). Vejam só, eles reuniram 16 músicos em uma casa para rodar, em plano-sequência, o vídeo da tranquila canção Oração.

Durante aproximadamente seis minutos, o cantor e compositor Leo Fressato é filmado em tempo real passeando pelos cômodos da casa com um microfone. Pelo caminho, vai encontrando músicos que o acompanham com diversos instrumentos.

A banda é formada por Uyara Torrente (vocal), Vinícius Nisi (violão, teclado e piano infantil), Rodrigo Lemos (banjolele e guitarra, e ex-integrante do grupo independente), Diego Plaça (violão e baixo) e Luís Bourscheidt (percussão e bateria).

O clipe está disponível na internet desde a última terça-feira (13) e já soma mais de 360 mil visualizações no YouTube. Com a descrição "É, a gente adora Beirut mesmo", o grupo deixa clara uma referência à Nantes, vídeo do grupo norte-americano Beirut (que você pode ver abaixo).



By: Pedro Felipe (com redação do virgula.uol.com.br)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os macacos e a escada

Olá pessoal...

Vagando pela internet encontrei esse texto muito legal. Leiam e percebam quão verdadeiro é o seu ensinamento no que diz respeito a nossas atitutes perante a realidade que nos cerca.

Os macacos e a escada


Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio da jaula puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.Quando algum macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão.

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que o macaco novato fez foi subir a escada, de onde foi rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato.

Um terceiro macaco foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui...”.

Também os seres humanos frequentemente agem como os macacos dessa história, fazendo coisas sem refletir por que razão, ou com que objetivo, estão fazendo aquilo. As pessoas agem às vezes movidas somente por costumes arraigados, ou por instintos, e dessa forma não exercem o mais precioso atributo de Deus para a raça humana: a inteligência. É importante estarmos sempre refletindo, questionando, compreendendo e aprendendo mais sobre a vida. Como disse Albert Einstein: "Tristes tempos estes: é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito".

By Prof. Gretz

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ensaio de Eni Orlandi: "Leitura: de quem para quem"

Pessoal,

Gosatria de indicar-lhes um ensaio da professora Eni Orlandi, da UNICAMP, sobre o que a leitura representa em nossa sociedade e a forma como nela é disseminada. Abaixo, segue uma resenha que eu fiz sobre este texto para a faculdade.


Resenha do texto "Leitura: de quem para quem"

Com o intuito de propor uma nova forma de educar e visando um ensino coerente com a pedagogia de transformação, Orlandi nos apresenta uma reflexão acerca do que está por trás do sistema educativo tradicional, situando “o que”, o “de quem” e o “para quem” da leitura. Aponta também qual é a relação estabelecida entre as classes sociais e o processo de ensino-aprendizagem em vigor atualmente. Para tal, utiliza argumentos convincentes que nos convidam a pensar a respeito do que é considerado legítimo no sistema educativo, assim como os motivos pelos quais essa legitimação é efetivada e repassada nas salas de aula.

A autora divide o texto em duas partes. Na primeira, discute a natureza da relação entre as classes, apresentando um histórico das transformações que a sociedade pôde experimentar desde o sistema feudal até as revoluções burguesas, sendo as últimas responsáveis pela redefinição dos paradigmas sociais. No entanto, segundo a autora, existe um jogo de palavras em relação aos conceitos de “liberdade” e “igualdade” propostos pela nova classe dominante: a burguesia sempre proclama o ideal da igualdade ao mesmo tempo em que organiza uma desigualdade real (ORLANDI,1995, p.59). A partir desta afirmação, ela sugere que dentre os vários campos em que esta realidade separatista é instaurada está o da educação, que passa a ser um instrumento de dominação. Nestes termos, torna-se uma educação de classe, o que responderia a questão “De quem é a educação?” como: é a da classe dominante do sistema capitalista, com as suas finalidades.

Ainda nessa parte do texto, a autora questiona a legitimidade do conhecimento que é estabelecido como verdade e reproduzido nas salas de aula. Ela parte da premissa de que um determinado conhecimento (ou modo de percepção do mundo) é indicado pela classe dominante, tutora do poder, e legitimado pela classe média, servindo como instrumento para sua elevação social. Apenas resta para a classe dominada aderir ao que lhes é imposto. Dentre essas diversas formas de saber (conhecimentos) está o saber letrado, sendo ele não partilhado, mas distribuído socialmente (ORLANDI,1995, p.62). Desta forma não é possível uma discussão sobre o que lemos e aprendemos. Pelo contrário. A absorção do que nos é imposto se faz necessária para um tipo de defesa (leitura pragmática), impedindo-nos de ter uma consciência crítica e poder, assim, contestar essa realidade.

A segunda para do texto nos transporta ao universo escolar, convidando-nos a observar a relação leitor/texto/autor na escola. O mediador desse processo nesse ambiente é o professor, uma vez que, na pedagogia tradicional, seu saber e objetivos são “dominantes” em relação ao saber e aos objetivos do aluno. Em relação a interação da leitura escolar e o fato de que essa relação resulta em transformação, é necessário que seja dado ao aluno um espaço para que ele mesmo elabore sua relação com a leitura. Sendo assim, o método de ensino deve apenas proporcionar condições para que esse processo seja aplicado e desenvolvido.

A autora é bem enfática quando afirma que o método não se deve sobrepor ao processo, mas se articular com ele. Sendo assim, para fazer com que o aluno tenha um conhecimento crítico, o professor deve colocá-lo em contato com textos, bibliotecas, arquivos, coleções, recortes etc., e motivá-lo a uma leitura polissêmica dos mesmos, diferentemente do método tradicional, que impõe uma leitura parafrástica (reprodução de sentidos previstos para um texto). Essas condições de ensino oferecidas aos alunos das classes populares permitirão que esta possa se construir e se representar na sua história de leitura, que a classe dominante desconhece (ORLANDI,1995, p.71).

Ademais, como opinião sobre o compêndido, posso afirmar que este se mostra muito coerente com o contexto em que vivemos e muito esclarecedor, tanto do ponto de vista expositivo quanto utilitário, cumprindo com a proposta que sugere desde início: elaborar soluções pedagógicas práticas para a mudança da realidade que descreve em seu cerne. Também nos ajudou a entender o papel que, como educadores, devemos desempenhar em busca da construção de novos paradigmas sociais que podem ser iniciados na escola, lugar tão comum e tão simples, mas fundamental para que qualquer mudança possa realmente ser estabelecida.


REFERÊNICIAS BIBLIOGRÁFICAS

ORLANDI, E.P. Leitura: De quem para quem? In ABREU, M. Leituras no Brasil: antologia comemorativa pelo 10º Cole. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1995. p. 57-71.

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By: Pedro Felipe

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A vida e a terra

Oi pessoal,

Remexendo em alguns antigos arquivos que pairavam nas profundezas do meu computador, encontrei esse texto que fiz em homenagem aos trabalhadores rurais da minha cidade natal, Araçagi. Como ainda não o tinha mostrado a ninguém, gostaria de dividir com vocês essa reflexão tão simples e humilde, mas que traz em si uma mensagem que realmente vale a pena.

A vida e a terra

A roça plantada
da terra arada, quebrada
pela enxada que bate
a terra e planta
a vida.

Vida arada
das mãos que sustentam
o cabo, que puxam
do mato o trato
pra viver,
comer.

Labuta marcada tenta dar
pelo suor que cai
e esvai
pelas rachaduras
das mãos ou do chão?

O sol que é guia
relógio do dia
lhe faz saber,
o que comer,
crer, sofrer
por não ter.

Não sabe se tem,
não sabe se vem.
Que Deus abençoe
Que chova e aguoe
Que a terra permita
a vida.

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By: Pedro Felipe


sábado, 26 de março de 2011

O pardal e a borboleta

Quando cheguei do trabalho, na hora do almoço, reparei num acontecimento que me levou a uma viagem deliciosa por lembranças inusitadas. Estava fechando o portão quando reparei, no braço da cadeira de balanço do terraço, um pardal. Ele procurava captar um melhor lugar para pousar, e eu, o observando, achava aquilo bem curioso. Quando decidiu voar para o outro lado, atravessando o muro de minha casa, quase atropelou uma borboleta amarela que brincava entre as flores vermelhas daquele pequeno jardim na varanda.
Segui o pássaro com meus olhos, e depois a borboleta com meus pensamentos. Eles me levaram há alguns anos de meu passado, naquele mesmo lugar. De repente vi tudo tão maior, tão mais bonito, tão mais colorido e mágico. Lembrei de todas as brincadeiras, as artimanhas infantis e as histórias que inventávamos numa ingênua e doce juventude. Fechei os olhos e quando os abri novamente, tudo estava normal de novo. Normal no modo em que estava observando antes do devaneio. Era tudo tão pequeno. Um espaço apertado de dois por seis metros, com algumas plantas floridas ao redor do muro, sendo este mais baixo que eu. Tão simples, tão normal. Tão imperceptível nessa vida agitada que em que sou controlado pelo tempo. Tão diferente daquela época em que eu o controlava.
Nesse momento percebi algo curioso. A maturidade me fez enxergar o mundo de outra forma, mas ao mesmo tempo em que minha visão se expandiu para alguns pensamentos e críticas, se limitou infinitamente para outras percepções, que talvez fossem as mais importantes. Não conseguia mais enxergar nada do que outrora vira ou vivera em minha imaginação infantil. O mundo era tão amplo, tão grande e imenso. Mais que isso. Ele era possível. Possível em tudo que eu quisesse. Só bastava um pensamento, um sonho, e a doce ilusão tomava conta da minha realidade desmedida e sem fronteiras.
Será que a idade me tirou aquilo que era mais importante e me fazia tão feliz? Será que as barreiras impostas hoje pela razão poderão um dia me fazer tão realizado quanto as azas da liberdade um dia me fizeram? Será que conseguirei alçar vôo mesmo com meus pés fincados nesse chão frio e duro. A gravidade que a realidade impõe à minha mente poderá um dia ser desafiada pelos meus ínfimos desejos de liberdade?
Sinceramente não sei da resposta para nenhuma dessas perguntas. Apenas sei o que sei, o que vejo, o que escuto e o que sinto. Talvez possam agora existir novas formas de voo. Escrever pode ser uma delas. Fazer com que as pessoas possam voar comigo e até quem sabe sonharmos juntos. Talvez jamais voltemos aos tempos do impossível, mas a sua tradução em palavras pode nos levar tão longe quanto um dia pudemos chegar. Assim aquela felicidade encontra novamente a possibilidade de habitar em nosso coração e quem sabe possamos ver o mundo de uma forma diferente, com mais amor.
Talvez isso seja algo a se pensar. Talvez o que vem de dentro pra fora possa ser mais importante do que o vem de fora pra dentro, por que o que vem de dentro é a essência, e um dia ouvi falar que a essência do homem é o amor. E não foi ninguém palpável que me disse essas palavras. Acho que as escutei em sonho. Talvez fosse eu mesmo.
Como agradeço àquele pardal, que me levou àquela borboleta, que me levou àquela infância, que me levou a entender que a felicidade está num lugar em que tantas vezes nos passa por despercebido ou talvez nem procuramos parar pra pensar nele. E pensar, nesse caso, não tem caráter racional, mas emocional. Pensar com o coração. E é neste lugar que habitam todos os sonhos e prazeres tão singelos, mas que nos fazem tão felizes, como era aquele pardal, como era aquela borboleta.


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By: Pedro Felipe

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ambígua criança

Estranha cúpula
que me enclausura
insana e muda
apela e afoga
liberta e revoga
minha loucura.

Dar-lhe-ei minha vida
Dar-lhei-ei meus sonhos
ingrata, astuta.
Burla minhas vontades
e sobrepõe aos meus fulgazes
amores e temores.

Incompreensível tormento
de um alinhamento estranho
indescritivelmente humano
incalculávelmente palpável
involutariamente vivido
passado.

Escrever é a fuga
não arquitetada, marcada
com simetria aguda
e perfeita,
mas com a nostalgia sentida
e surrada
pelo que aflora de dentro
pra fora,
e o de fora rejeita.

Sua transparência
exergar-me faz todas as cores,
que embaraçadas formam
um distorsido compêndido
de pinturas , remotas
adidas de alma,
libertando-me do limbo,
sorrindo, cantando, sonhando...

Tudo que meu intrínseco grita
tudo que minha alma roga
tudo que você implora
numa desmedida e
incontrolável prece
Pode com certeza inferir
na dor que encurrala,
instaurar uma engênua esperança,
criança ambígua,
humana.

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By: Pedro Felipe

domingo, 20 de março de 2011

Parabéns Rachel!

Olá Pessoal.

Nós paraibanos, nesses últimos dias, pudemos compartilhar uma grande alegria ao tomarmos conhecimento que nossa conterrânea, a jornalista Rachel Sheherazade, foi contratada pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), depois da maravilhosa lição de bom censo que promoveu a respeito do real significado das comemorações carnavalescas no Brasil. Estamos muito felizes pela repercussão que este vídeo teve na internet e nos demais veículos de comunicação, promovendo um debate sadio e consciente.
Abaixo, o vídeo que a deixou tão famosa:

sexta-feira, 18 de março de 2011

Por que o jovem não deve ler!

Pessoal,

Trabalhei essa semana com um texto muito legal do Ulisses Tavares, intitulado "Por que os jovens não devem ler". Compartilho agora com vocês essa maravilhosa leitura:

Por que o jovem não deve ler!

Ulisses Tavares

Calma, prezado leitor, nem você leu errado, nem eu pirei de vez. Este artigo pretende isso mesmo: dar novos motivos para que os moços e moças de nosso Brasil continuem lendo apenas o suficiente para não bombar na escola.

E continuem vendo a leitura como algo completamente estapafúrdio, irrelevante, anacrônico, e permaneçam habitando o universo ágrafo dos hedonistas incensados nos realitys shows.

(Êpa, acho que exagerei. Afinal, quem não lê, muito dificilmente vai conseguir compreender esta última frase. Desculpem aí, manos: eu quis dizer que os carinhas, hoje, precisam de dicionário pra entender gibi da Monica, na onda dos sarados e popozudas que vêem na telinha, e que vou dar uma força pra essa parada aí, porra.)

Eu explico mais ainda: é que, aproveitando o gancho do Salão do Livro Infanto-Juvenil, em novembro agora no Parque do Ibirapuera, Sampa, pensei em escrever sobre a importância da leitura. Algo leve mas suficiente para despertar em meia dúzia de jovens o gosto pela leitura (de que? De tudo! De jornais a livros de filosofia; de bulas de remédio a conselhos religiosos; de revistas a tratados de física quântica; de autores clássicos a paulos coelhos.)

Daí aconteceram três coisas que me fizeram mudar de rumo e de idéia.

Primeiro eu li que fizeram, alguns meses atrás, um teste de leitura com estudantes do ensino fundamental de uma dezena de vários países. Era para avaliar se eles entendiam de verdade o que estavam lendo. Adivinhem quem tirou o último lugar, até mesmo atrás de paizinhos miseráveis e perdidos no mapa mundi? Acertou, bródi: o nosso Brasil.

Logo depois, li uma notícia boa que, na verdade, é ruim: o (des)governo de São Paulo anuncia maior número de crianças na escola. Mas adotou a política da não reprovação. Traduzindo: neguinho passa de ano, sim, mas continua técnicamente analfabeto. Porque ler sem raciocinar é como preencher um cheque sem saber quanto se tem no banco.

E, por último, li em pesquisa publicada recentemente nos jornais, que para 56% dos brasileiros entre 18 e 25 anos comprar mais significa mais felicidade, pouco se importando com problemas ambientais e sociais do consumo desenfreado. Ou seja, o jovem brasileirinho gosta de comprar muitas latinhas de cerveja, mas toma todas e joga todas nas ruas ou nas estradas, sem remorso.

Viram como ler atrapalha?

A gente fica sabendo de fatos que, se não soubesse, teria mais tempo para curtir o próprio umbigo numa boa, sem ficar indignado e preocupado com a situação atual de boa parte de nossa juventude.

E também faz o tico e o teco (nossos dois neurônios que ainda funcionam no cérebro, já que se dividirmos o quociente de inteligência nacional pelo número de habitantes não deve sobrar mais que isso per capita) malharem e suarem, em vez de ficarmos admirando o crescimento do bumbum e do muque no espelho das academias de musculação.

Porisso que, num momento de desalento, decidi que, de agora em diante, como escritor e professor, nunca mais vou recomendar a ninguém que leia mais, que abra livros para abrir a cabeça.

A realidade é brutal e desmentiria em seguida qualquer motivo que eu desse para um jovem tupiniquim trocar a alienação pela leitura.

Eu reconheço: a maioria está certa em não ler.

E tem, no mínimo, 5 razões poderosas , maiores e melhores que meus frágeis argumentos ao contrário:

  1. Se ler, vai querer participar como cidadão dos destinos do País. Não vale à pena o esforço. Como disse o Lula (que não teve muita escola, mas sempre leu pra caramba), a juventude não gosta de política, mas os políticos adoram. Porisso que eles mandam e desmandam há séculos;
  2. Se ler, vai saber que estão mentindo e matando montes de jovens todos os dias em todos os lugares do Brasil impunemente; principalmente porque esses jovens não percebem nem têm como saber (a não ser lendo) a tremenda cilada que é acreditar que bacana é mentir e matar também;
  3. Se ler, vai acordar um dia e se perguntar que diabo é isso que anda acontecendo neste lugar, onde só ladrões, corruptos, prostitutas e ignorantes, aparecem na mídia;
  4. Se ler, vai ficar mais humano e, horror dos horrores, é até capaz de sentir vontade de se engajar num trabalho comunitário, voluntário e parar de ser egoísta;
  5. Se ler, vai comparar opiniões, acontecimentos, impressões e emoções e acabar descobrindo que sua vida andava meio torta, meio gado feliz.

O espaço está acabando e me deu vontade de lembrar que ninguém -nem mesmo alguém que não vê utilidade na leitura - pode achar que há um belo futuro aguardando uma juventude que vai de revólver pra escola e, lá, absorve não conhecimentos mas um baseado ou uma carreirinha maneira. Sim, é outra pesquisa que li, esta dando conta que sete entre dez estudantes brasileiros andam armados, tres entre dez se drogam na escola, sete entre dez bebem regularmente.

Mas páro por aqui já que, apesar destes tristes tempos verdes e amarelos (as cores do vômito, papito), lembro também de tantos poetas, jornalistas e escritores que, ao longo de minha vida de leitor apaixonado, me deram toques de esperança, força e fé na mudança.

De um especialmente - o poeta Tiago de Melo - com seu verso comovido e repleto de coragem:

"Faz escuro, mas eu canto!"

Talvez meu pequeno cantar sirva de guia do homem (e mulher) de amanhã. E que, lendo mais, ele/ela evite de ter como única alternativa para mudar de vida dar a bunda (e a alma) ou engolir baratas (e a dignidade) diante das câmeras de televisão.

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