quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ensaio de Eni Orlandi: "Leitura: de quem para quem"

Pessoal,

Gosatria de indicar-lhes um ensaio da professora Eni Orlandi, da UNICAMP, sobre o que a leitura representa em nossa sociedade e a forma como nela é disseminada. Abaixo, segue uma resenha que eu fiz sobre este texto para a faculdade.


Resenha do texto "Leitura: de quem para quem"

Com o intuito de propor uma nova forma de educar e visando um ensino coerente com a pedagogia de transformação, Orlandi nos apresenta uma reflexão acerca do que está por trás do sistema educativo tradicional, situando “o que”, o “de quem” e o “para quem” da leitura. Aponta também qual é a relação estabelecida entre as classes sociais e o processo de ensino-aprendizagem em vigor atualmente. Para tal, utiliza argumentos convincentes que nos convidam a pensar a respeito do que é considerado legítimo no sistema educativo, assim como os motivos pelos quais essa legitimação é efetivada e repassada nas salas de aula.

A autora divide o texto em duas partes. Na primeira, discute a natureza da relação entre as classes, apresentando um histórico das transformações que a sociedade pôde experimentar desde o sistema feudal até as revoluções burguesas, sendo as últimas responsáveis pela redefinição dos paradigmas sociais. No entanto, segundo a autora, existe um jogo de palavras em relação aos conceitos de “liberdade” e “igualdade” propostos pela nova classe dominante: a burguesia sempre proclama o ideal da igualdade ao mesmo tempo em que organiza uma desigualdade real (ORLANDI,1995, p.59). A partir desta afirmação, ela sugere que dentre os vários campos em que esta realidade separatista é instaurada está o da educação, que passa a ser um instrumento de dominação. Nestes termos, torna-se uma educação de classe, o que responderia a questão “De quem é a educação?” como: é a da classe dominante do sistema capitalista, com as suas finalidades.

Ainda nessa parte do texto, a autora questiona a legitimidade do conhecimento que é estabelecido como verdade e reproduzido nas salas de aula. Ela parte da premissa de que um determinado conhecimento (ou modo de percepção do mundo) é indicado pela classe dominante, tutora do poder, e legitimado pela classe média, servindo como instrumento para sua elevação social. Apenas resta para a classe dominada aderir ao que lhes é imposto. Dentre essas diversas formas de saber (conhecimentos) está o saber letrado, sendo ele não partilhado, mas distribuído socialmente (ORLANDI,1995, p.62). Desta forma não é possível uma discussão sobre o que lemos e aprendemos. Pelo contrário. A absorção do que nos é imposto se faz necessária para um tipo de defesa (leitura pragmática), impedindo-nos de ter uma consciência crítica e poder, assim, contestar essa realidade.

A segunda para do texto nos transporta ao universo escolar, convidando-nos a observar a relação leitor/texto/autor na escola. O mediador desse processo nesse ambiente é o professor, uma vez que, na pedagogia tradicional, seu saber e objetivos são “dominantes” em relação ao saber e aos objetivos do aluno. Em relação a interação da leitura escolar e o fato de que essa relação resulta em transformação, é necessário que seja dado ao aluno um espaço para que ele mesmo elabore sua relação com a leitura. Sendo assim, o método de ensino deve apenas proporcionar condições para que esse processo seja aplicado e desenvolvido.

A autora é bem enfática quando afirma que o método não se deve sobrepor ao processo, mas se articular com ele. Sendo assim, para fazer com que o aluno tenha um conhecimento crítico, o professor deve colocá-lo em contato com textos, bibliotecas, arquivos, coleções, recortes etc., e motivá-lo a uma leitura polissêmica dos mesmos, diferentemente do método tradicional, que impõe uma leitura parafrástica (reprodução de sentidos previstos para um texto). Essas condições de ensino oferecidas aos alunos das classes populares permitirão que esta possa se construir e se representar na sua história de leitura, que a classe dominante desconhece (ORLANDI,1995, p.71).

Ademais, como opinião sobre o compêndido, posso afirmar que este se mostra muito coerente com o contexto em que vivemos e muito esclarecedor, tanto do ponto de vista expositivo quanto utilitário, cumprindo com a proposta que sugere desde início: elaborar soluções pedagógicas práticas para a mudança da realidade que descreve em seu cerne. Também nos ajudou a entender o papel que, como educadores, devemos desempenhar em busca da construção de novos paradigmas sociais que podem ser iniciados na escola, lugar tão comum e tão simples, mas fundamental para que qualquer mudança possa realmente ser estabelecida.


REFERÊNICIAS BIBLIOGRÁFICAS

ORLANDI, E.P. Leitura: De quem para quem? In ABREU, M. Leituras no Brasil: antologia comemorativa pelo 10º Cole. Campinas, SP: Mercado das Letras, 1995. p. 57-71.

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By: Pedro Felipe

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A vida e a terra

Oi pessoal,

Remexendo em alguns antigos arquivos que pairavam nas profundezas do meu computador, encontrei esse texto que fiz em homenagem aos trabalhadores rurais da minha cidade natal, Araçagi. Como ainda não o tinha mostrado a ninguém, gostaria de dividir com vocês essa reflexão tão simples e humilde, mas que traz em si uma mensagem que realmente vale a pena.

A vida e a terra

A roça plantada
da terra arada, quebrada
pela enxada que bate
a terra e planta
a vida.

Vida arada
das mãos que sustentam
o cabo, que puxam
do mato o trato
pra viver,
comer.

Labuta marcada tenta dar
pelo suor que cai
e esvai
pelas rachaduras
das mãos ou do chão?

O sol que é guia
relógio do dia
lhe faz saber,
o que comer,
crer, sofrer
por não ter.

Não sabe se tem,
não sabe se vem.
Que Deus abençoe
Que chova e aguoe
Que a terra permita
a vida.

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By: Pedro Felipe


sábado, 26 de março de 2011

O pardal e a borboleta

Quando cheguei do trabalho, na hora do almoço, reparei num acontecimento que me levou a uma viagem deliciosa por lembranças inusitadas. Estava fechando o portão quando reparei, no braço da cadeira de balanço do terraço, um pardal. Ele procurava captar um melhor lugar para pousar, e eu, o observando, achava aquilo bem curioso. Quando decidiu voar para o outro lado, atravessando o muro de minha casa, quase atropelou uma borboleta amarela que brincava entre as flores vermelhas daquele pequeno jardim na varanda.
Segui o pássaro com meus olhos, e depois a borboleta com meus pensamentos. Eles me levaram há alguns anos de meu passado, naquele mesmo lugar. De repente vi tudo tão maior, tão mais bonito, tão mais colorido e mágico. Lembrei de todas as brincadeiras, as artimanhas infantis e as histórias que inventávamos numa ingênua e doce juventude. Fechei os olhos e quando os abri novamente, tudo estava normal de novo. Normal no modo em que estava observando antes do devaneio. Era tudo tão pequeno. Um espaço apertado de dois por seis metros, com algumas plantas floridas ao redor do muro, sendo este mais baixo que eu. Tão simples, tão normal. Tão imperceptível nessa vida agitada que em que sou controlado pelo tempo. Tão diferente daquela época em que eu o controlava.
Nesse momento percebi algo curioso. A maturidade me fez enxergar o mundo de outra forma, mas ao mesmo tempo em que minha visão se expandiu para alguns pensamentos e críticas, se limitou infinitamente para outras percepções, que talvez fossem as mais importantes. Não conseguia mais enxergar nada do que outrora vira ou vivera em minha imaginação infantil. O mundo era tão amplo, tão grande e imenso. Mais que isso. Ele era possível. Possível em tudo que eu quisesse. Só bastava um pensamento, um sonho, e a doce ilusão tomava conta da minha realidade desmedida e sem fronteiras.
Será que a idade me tirou aquilo que era mais importante e me fazia tão feliz? Será que as barreiras impostas hoje pela razão poderão um dia me fazer tão realizado quanto as azas da liberdade um dia me fizeram? Será que conseguirei alçar vôo mesmo com meus pés fincados nesse chão frio e duro. A gravidade que a realidade impõe à minha mente poderá um dia ser desafiada pelos meus ínfimos desejos de liberdade?
Sinceramente não sei da resposta para nenhuma dessas perguntas. Apenas sei o que sei, o que vejo, o que escuto e o que sinto. Talvez possam agora existir novas formas de voo. Escrever pode ser uma delas. Fazer com que as pessoas possam voar comigo e até quem sabe sonharmos juntos. Talvez jamais voltemos aos tempos do impossível, mas a sua tradução em palavras pode nos levar tão longe quanto um dia pudemos chegar. Assim aquela felicidade encontra novamente a possibilidade de habitar em nosso coração e quem sabe possamos ver o mundo de uma forma diferente, com mais amor.
Talvez isso seja algo a se pensar. Talvez o que vem de dentro pra fora possa ser mais importante do que o vem de fora pra dentro, por que o que vem de dentro é a essência, e um dia ouvi falar que a essência do homem é o amor. E não foi ninguém palpável que me disse essas palavras. Acho que as escutei em sonho. Talvez fosse eu mesmo.
Como agradeço àquele pardal, que me levou àquela borboleta, que me levou àquela infância, que me levou a entender que a felicidade está num lugar em que tantas vezes nos passa por despercebido ou talvez nem procuramos parar pra pensar nele. E pensar, nesse caso, não tem caráter racional, mas emocional. Pensar com o coração. E é neste lugar que habitam todos os sonhos e prazeres tão singelos, mas que nos fazem tão felizes, como era aquele pardal, como era aquela borboleta.


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By: Pedro Felipe

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ambígua criança

Estranha cúpula
que me enclausura
insana e muda
apela e afoga
liberta e revoga
minha loucura.

Dar-lhe-ei minha vida
Dar-lhei-ei meus sonhos
ingrata, astuta.
Burla minhas vontades
e sobrepõe aos meus fulgazes
amores e temores.

Incompreensível tormento
de um alinhamento estranho
indescritivelmente humano
incalculávelmente palpável
involutariamente vivido
passado.

Escrever é a fuga
não arquitetada, marcada
com simetria aguda
e perfeita,
mas com a nostalgia sentida
e surrada
pelo que aflora de dentro
pra fora,
e o de fora rejeita.

Sua transparência
exergar-me faz todas as cores,
que embaraçadas formam
um distorsido compêndido
de pinturas , remotas
adidas de alma,
libertando-me do limbo,
sorrindo, cantando, sonhando...

Tudo que meu intrínseco grita
tudo que minha alma roga
tudo que você implora
numa desmedida e
incontrolável prece
Pode com certeza inferir
na dor que encurrala,
instaurar uma engênua esperança,
criança ambígua,
humana.

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By: Pedro Felipe

domingo, 20 de março de 2011

Parabéns Rachel!

Olá Pessoal.

Nós paraibanos, nesses últimos dias, pudemos compartilhar uma grande alegria ao tomarmos conhecimento que nossa conterrânea, a jornalista Rachel Sheherazade, foi contratada pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), depois da maravilhosa lição de bom censo que promoveu a respeito do real significado das comemorações carnavalescas no Brasil. Estamos muito felizes pela repercussão que este vídeo teve na internet e nos demais veículos de comunicação, promovendo um debate sadio e consciente.
Abaixo, o vídeo que a deixou tão famosa:

sexta-feira, 18 de março de 2011

Por que o jovem não deve ler!

Pessoal,

Trabalhei essa semana com um texto muito legal do Ulisses Tavares, intitulado "Por que os jovens não devem ler". Compartilho agora com vocês essa maravilhosa leitura:

Por que o jovem não deve ler!

Ulisses Tavares

Calma, prezado leitor, nem você leu errado, nem eu pirei de vez. Este artigo pretende isso mesmo: dar novos motivos para que os moços e moças de nosso Brasil continuem lendo apenas o suficiente para não bombar na escola.

E continuem vendo a leitura como algo completamente estapafúrdio, irrelevante, anacrônico, e permaneçam habitando o universo ágrafo dos hedonistas incensados nos realitys shows.

(Êpa, acho que exagerei. Afinal, quem não lê, muito dificilmente vai conseguir compreender esta última frase. Desculpem aí, manos: eu quis dizer que os carinhas, hoje, precisam de dicionário pra entender gibi da Monica, na onda dos sarados e popozudas que vêem na telinha, e que vou dar uma força pra essa parada aí, porra.)

Eu explico mais ainda: é que, aproveitando o gancho do Salão do Livro Infanto-Juvenil, em novembro agora no Parque do Ibirapuera, Sampa, pensei em escrever sobre a importância da leitura. Algo leve mas suficiente para despertar em meia dúzia de jovens o gosto pela leitura (de que? De tudo! De jornais a livros de filosofia; de bulas de remédio a conselhos religiosos; de revistas a tratados de física quântica; de autores clássicos a paulos coelhos.)

Daí aconteceram três coisas que me fizeram mudar de rumo e de idéia.

Primeiro eu li que fizeram, alguns meses atrás, um teste de leitura com estudantes do ensino fundamental de uma dezena de vários países. Era para avaliar se eles entendiam de verdade o que estavam lendo. Adivinhem quem tirou o último lugar, até mesmo atrás de paizinhos miseráveis e perdidos no mapa mundi? Acertou, bródi: o nosso Brasil.

Logo depois, li uma notícia boa que, na verdade, é ruim: o (des)governo de São Paulo anuncia maior número de crianças na escola. Mas adotou a política da não reprovação. Traduzindo: neguinho passa de ano, sim, mas continua técnicamente analfabeto. Porque ler sem raciocinar é como preencher um cheque sem saber quanto se tem no banco.

E, por último, li em pesquisa publicada recentemente nos jornais, que para 56% dos brasileiros entre 18 e 25 anos comprar mais significa mais felicidade, pouco se importando com problemas ambientais e sociais do consumo desenfreado. Ou seja, o jovem brasileirinho gosta de comprar muitas latinhas de cerveja, mas toma todas e joga todas nas ruas ou nas estradas, sem remorso.

Viram como ler atrapalha?

A gente fica sabendo de fatos que, se não soubesse, teria mais tempo para curtir o próprio umbigo numa boa, sem ficar indignado e preocupado com a situação atual de boa parte de nossa juventude.

E também faz o tico e o teco (nossos dois neurônios que ainda funcionam no cérebro, já que se dividirmos o quociente de inteligência nacional pelo número de habitantes não deve sobrar mais que isso per capita) malharem e suarem, em vez de ficarmos admirando o crescimento do bumbum e do muque no espelho das academias de musculação.

Porisso que, num momento de desalento, decidi que, de agora em diante, como escritor e professor, nunca mais vou recomendar a ninguém que leia mais, que abra livros para abrir a cabeça.

A realidade é brutal e desmentiria em seguida qualquer motivo que eu desse para um jovem tupiniquim trocar a alienação pela leitura.

Eu reconheço: a maioria está certa em não ler.

E tem, no mínimo, 5 razões poderosas , maiores e melhores que meus frágeis argumentos ao contrário:

  1. Se ler, vai querer participar como cidadão dos destinos do País. Não vale à pena o esforço. Como disse o Lula (que não teve muita escola, mas sempre leu pra caramba), a juventude não gosta de política, mas os políticos adoram. Porisso que eles mandam e desmandam há séculos;
  2. Se ler, vai saber que estão mentindo e matando montes de jovens todos os dias em todos os lugares do Brasil impunemente; principalmente porque esses jovens não percebem nem têm como saber (a não ser lendo) a tremenda cilada que é acreditar que bacana é mentir e matar também;
  3. Se ler, vai acordar um dia e se perguntar que diabo é isso que anda acontecendo neste lugar, onde só ladrões, corruptos, prostitutas e ignorantes, aparecem na mídia;
  4. Se ler, vai ficar mais humano e, horror dos horrores, é até capaz de sentir vontade de se engajar num trabalho comunitário, voluntário e parar de ser egoísta;
  5. Se ler, vai comparar opiniões, acontecimentos, impressões e emoções e acabar descobrindo que sua vida andava meio torta, meio gado feliz.

O espaço está acabando e me deu vontade de lembrar que ninguém -nem mesmo alguém que não vê utilidade na leitura - pode achar que há um belo futuro aguardando uma juventude que vai de revólver pra escola e, lá, absorve não conhecimentos mas um baseado ou uma carreirinha maneira. Sim, é outra pesquisa que li, esta dando conta que sete entre dez estudantes brasileiros andam armados, tres entre dez se drogam na escola, sete entre dez bebem regularmente.

Mas páro por aqui já que, apesar destes tristes tempos verdes e amarelos (as cores do vômito, papito), lembro também de tantos poetas, jornalistas e escritores que, ao longo de minha vida de leitor apaixonado, me deram toques de esperança, força e fé na mudança.

De um especialmente - o poeta Tiago de Melo - com seu verso comovido e repleto de coragem:

"Faz escuro, mas eu canto!"

Talvez meu pequeno cantar sirva de guia do homem (e mulher) de amanhã. E que, lendo mais, ele/ela evite de ter como única alternativa para mudar de vida dar a bunda (e a alma) ou engolir baratas (e a dignidade) diante das câmeras de televisão.

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Começo do ano acadêmico

Olá pessoal,

Gostaria de avisar que estou voltando as postagens no blog. Meu ano acadêmico acaba de começar e minha animação é tamanha que me impulsiona a querer novamente dividir com vocês a maior parte de meus conhecimentos.
Acredito que todos já saibam que mudei de área. Fazia um curso técnico integrado em eletrotécnica no IFPB e o normal seria seguir a carreira de Engenheiro Eletricista. No entanto, mudei drasticamente. Atualmente comecei a cursar letras na UFPB, e me encontro muito animado. Esta era definitivamente a minha paixão e querer assumir isso como profissão exigiu de mim muita força e coragem. Sei que não será um caminho fácil, mas com muita determinação e fé, tenho certeza que Deus me abençoará e ajudará a alcançar objetivos que almejo.
Bom, isso é tudo por enquanto. Aguardem novas postagens...
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By: Pedro Felipe

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Os Programaços da TV Paraibana!

O interssantíssimo CIRCO que é a TV do estado da Paraíba conta com ínumeros palhaços, marionetes, bobos da corte e trapezistas. Neste resumo vou mostrar com um pouco de humor como é o formato de muitos programas da Paraíba e de seus respectivos apresentadores.

Você acorda de manhã e tem a sua disposição um leque variado daqueles telejornais do tipo: De Olho na Cidade, Tribuna Livre, Jornal da Correio, Bom Dia Paraíba e outras coisisnhas a mais; é muito interessante notar que esses "telejornais" muito bem poderiam se chamar Telefunerais (pois só noticiam mortes), além de possuir o mesmo formato e as mesmas palavras ditas, as mesmas imagens. Parece até que todas as emissoras se juntam, dividem o território da grande João Pessoa e de Campina Grande, e vão no zerinho ou um pra ver quem vai cobrir as mortes. No final elas dividem a mesma imagem e combinam o que vão dizer.

Quando chega a hora do almoço outro show é dado, e uma briga de 4 grandes palhaços é formada. Num vértice do quadrado está o palhação Samuca Duarte e seu fiel escudeiro Emersom Machado (o repórter das caretas), num outro vértice está aquele que saiu do rádio pra entrar nesta briga também, o palhaço Alexandre Coronago, no outro está o que teve seu lugar tomado pelo Alexandre, o Lauro Lima com o seu "GRADENAL", e por último os dois palhaços da TV Correio que juntos querem derrubar o palhação Samuca, Eron Cid e Ruy Dantas com o seu famoso bordão de despedida que ninguém entende "Quando a luta continua, a luta continua...".

Quem tem acesso a tv da Paraíba e puder ver os palhaços supracitados em ação e também já tiverem visto o filme TROPA DE ELITE 2 podem observar um comportamento paralelo entre os apresentadores de TV daqui e o apresentador e candidato a vereador Fortunato no filme. Podemos observar uma enorme defasagem na cultura, informação e lazer que os programas de TV estão proporcionando.

Nas tardes, a grade é preenchida com algo muito peculiar, O Feminissíma, programa em que a apresentadora (Marcelle Mosso) não sabe nada sobre o roteiro do mesmo, apenas rindo a todo instante. O fato dela não ser paraibana explica bastante coisa a respeito do seu deslocamento aqui. Praticamente quem faz o programa é o diretor, aquela menina que lê os e-mails e Biusinha, que se continuar desse jeito, já, já toma o lugar da Marcelle no programa.

Voltando pra manhã um programa com um formato parecido deste último é exibido, o Manhã da Gente. A ex-apresentadora de Clips (Marília Lima) apresenta sempre a clínica de estética que ela limpa a cara (Lumière). Antigamente o programa ainda contava com a ajuda na cozinha do chef Wellington, nos entanto ela o despediu e ficou com o programa só pra si. Agora trás todos os chefs de todos os restaurantes e biroscas de João Pessoa para cozinhar no seu programa. É muito engraçado que ela tem um estreito laço com a cozinha. Um chef diz: "Agora vamos cozinhar as batatas para fazer o purê". Daí ela diz: "Como?", e o Chef, com um sorriso meia boca, diz: "Com água". Ela nem pra dizer: "quanto de água?". Apenas indaga "Ah tá certo!"

A programação da Paraíba é muito boa pra quem gosta de rir e tirar sarro da cara dos outros...

Por: Tiago Pereira de Lima

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Blog "A parusia em mim" está ativo...

Pessoal, Tiago mandou avisar que o blog "A PARUSIA EM MIM - Diário de um Recomeçar" já está ativo.
Eu dei uma conferida e tá super legal. Deem uma passadinha lá pra conferir. O link é:

aparusiaemmim.blogspot.com

Abraços e até mais!

sábado, 24 de julho de 2010

Eleições 2010 - Em quem você vai votar?

Oi galera...

Hoje vim compartilhar com vocês o desejo íntimo de fazer alguma coisa nessa eleição. Algum movimento em defesa de ideologias políticas que levassem nosso país pra frente. Dos candidatos à presidência que disputam essa eleição, apenas um me inspira a fazer isso: MARINA SILVA. É a mais preparada, competente, honesta, humilde e comprometida com a integração entre crescimento econômico e a preservação ambiental, garantindo ao país um desenvolvimento equitativo e sustentável frente aonovos desafios do sóculo XXI. Ela é a única capaz de conseguir alavancar a educação básica, salvar a amazânia e contiar erradicando a pobreza, não deixando de lado o crescimento econômico do nosso país. Pensando nisso, procurei na internet um texto que explicasse detalhadamente porque devemos votar em Marina nessa eleição, e olhem o que eu achei:

http://www.abril.com.br/imagem/marina-silva436.jpg

Em quem eu voto


Muitos amigos meus me perguntam porque e como eu não vou votar na Dilma e se eu prefiro o SEEEEERRRRAAAA????? Pois hoje resolvi respondê-los.

Não voto na Dilma porque ela é do PT e o “pragmatismo” petista tem sido muito mais odioso do que o “esqueçam o que eu disse” do FHC. Um partido que representava o sonho de uma política mais limpa, um partido que deveria se aliar com a esquerda ou, no máximo, com um centro esquerda como um PSDB da vida, jamais poderia seguir uma política prostituída como a do atual PMDB. O PT, a meu ver, não deveria ter o direito de sentar-se à mesa com Sarney, Edson Lobão, Renan Calheiros, Fernando Collor e semelhantes. Muito menos articular com essas figuras para que elas mandem no Congresso Nacional de forma tão explícita como nem no FHC mandaram. Essa simbiose é imoral.

Não voto na Dilma porque ela é do PT e esse partido não fez ABSOLUTAMENTE NADA pela educação em seu governo. Se criar condições para a proliferação de Faculdades em todos os lugares ao ponto de gerar uma profunda crise no setor é tudo o que o PT ofereceu nesses oito anos, eu realmente posso dar nota zero para ele no quesito educação, um dos que ele mais defendia. Para mim, o PT teria que investir na educação básica de qualidade com muito dinheiro e seriedade. Somente quando o mais pobre tiver condições de disputar uma vaga na Federal com o mais rico a educação pública poderá ser chamada de decente. E o PT sabe(ia) disso. Emancipar não tem sido o principal objetivo do partido, será por quê?

Não voto na Dilma porque não sei quem ela é. Quando falo isso, me repreendem duramente falando que ela é uma figura ilibada, com uma grande história política de resistência na COLINA, no VAR Palmares, etc. Diante disso, faço várias observações, dentre elas, que são inúmeras, destaco apenas três: a) pergunto detalhes sobre essa história e ninguém sabe me responder, b) não creio que ter sido militante radical de esquerda na década de 70 credencia alguém a ocupar o mais alto cargo administrativo e POLÍTICO do país. Creio que a política é o espaço da visibilidade e a Dilma, por mais heróica, combatente e capaz que seja, ocupa o espaço da invisibilidade, o espaço da anti-política, c) luta política por luta política, a Marina e até o Serra também fazem parte desse balaio e são honestos.

Frente a esse impasse, escolho meu voto: MARINA SILVA. Essa, a meu ver, é ilibada, tem uma história de luta tão grande quanto a Dilma, e é afinada com o futuro. Marina Silva seria a única capaz de acabar com a farra gringa e do “terceiro setor” na Amazônia, de promover um desenvolvimento sustentável que traga divisas para o país e para os povos da Amazônia. E que seria capaz de (re)integrar a Amazônia ao Brasil, levando ao norte prosperidade, legalidade, justiça. Não vejo com bons olhos o norte do Brasil ficar na situação em que se encontra. Marina sabe disso e é corajosa.

Mas a Marina não tem partido, não se governa assim, e coisa e tal. Garanto que Marina sabe disso e que é capaz de fazer uma aliança com um grande partido de forma mais decente do que a feita pelo PT (aliás, quem sabe ela não se alia com o PSDB? Seria, no mínimo, humilhante). E a Marina tem visibilidade, ocupa o lugar do aparecer, da política. Eu sei quem é a Marina, que tem uma doença tratada às claras, que é frágil, mas que tem uma alma imensa, do tamanho do meu país. Coisas que ainda não consegui saber da Dilma. E acho que a Marina terá um vice um pouco melhor do que o Temer.

Mais ainda, muitos com quem tenho conversado, dizem que vão votar na Marina. Se começarmos uma campanha de fé e esperança, ela pode chegar bem mais longe do que imaginamos. Isso sim, é uma presidenta que eu teria imenso orgulho, que me faria chorar em sua posse, que seria a esperança do meio ambiente no Brasil e, portanto, de 40% do futuro de nossa nação (os 60% estão nas mãos da educação, área sobre a qual nenhum candidato, nem a Marina, parece ter a mínima idéia do que fazer).

Ah, e só para comparar com o nosso atual presidente, é bom lembrar que Marina era tão ou mais pobre do que o Lula, que ela também entrou na política pela esquerda, só que não se aliou com senadores duvidosos, mas os denunciou. Marina é pobre, mas sabe da importância transformadora da educação e, ao invés de vangloriar-se de não ter estudado, conseguiu, com muita luta, se formar em história. Marina sabe que há vencedores sem diploma, mas é honesta e admite que, entre os vencedores, os com diploma (de qualidade) são imensa maioria.

Voto na Marina! Mulher de biografia linda (e conhecida), mulher com um belo nome, mulher vencedora. Marina, mulher coerente, que largou o ministério porque não poderia fazer nada com ele, que rompeu com o seu partido porque ele se corrompeu ideologicamente. Voto na Marina, que continua acreditando que um governo pode ser decente e que sabe que do uso sustentável do meio ambiente depende o futuro do planeta.

Finalmente, para responder a questão das primeiras linhas, “você prefere o SEEEEERRRRRAAAAA?”, eu digo que não, prefiro a Marina. Mas se não tiver jeito, porque não o Serra? Ele trabalha feito cão, sonha com isso há anos, é do PSDB, que é menos indecente que o PMDB, também tem história de militância e é conhecido, visível, político.

Não voto na Dilma porque sou de esquerda, mas uma esquerda moderna, que vê no cuidado ambiental, no desenvolvimento sustentável, no estímulo à economia solidária, o futuro do Brasil. O nosso turismo, por exemplo, deveria ser feito com base em organizações de economia solidária. Nosso litoral está sendo vendido ao estrangeiro, que não dá o retorno devido às comunidades locais. E Marina sabe muito mais sobre isso do que a Dilma.

Acima de tudo, não voto na Dilma porque não acredito que posso me sentar à mesa com Jesus e Judas, como diz o seu mentor, com quem ela, aparentemente, concorda em tudo.

Mas se a Dilma colocar um vice-presidente decente em sua chapa, fizer-se mais transparente com sua vida pessoal, política e ideológica e me prometer que vai eliminar os atuais caciques do Congresso, refazer o Maranhão e Alagoas, e firmar alianças moralmente decentes para governar, eu até penso em reconsiderar o meu voto. Apesar de Marina soar tão mais belo, leve e doce aos meus ouvidos.

Paulo Vitor de Lara Resende

Professor que foi pego pela marolinha do Lula e que está muito aborrecido com a política e com a educação brasileiras.


Legal né!?

Reflitam bem e não esqueçam: o voto é a principal arma da democracia, não o subestime. Vote com consciência!!!