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sexta-feira, 18 de março de 2011

Por que o jovem não deve ler!

Pessoal,

Trabalhei essa semana com um texto muito legal do Ulisses Tavares, intitulado "Por que os jovens não devem ler". Compartilho agora com vocês essa maravilhosa leitura:

Por que o jovem não deve ler!

Ulisses Tavares

Calma, prezado leitor, nem você leu errado, nem eu pirei de vez. Este artigo pretende isso mesmo: dar novos motivos para que os moços e moças de nosso Brasil continuem lendo apenas o suficiente para não bombar na escola.

E continuem vendo a leitura como algo completamente estapafúrdio, irrelevante, anacrônico, e permaneçam habitando o universo ágrafo dos hedonistas incensados nos realitys shows.

(Êpa, acho que exagerei. Afinal, quem não lê, muito dificilmente vai conseguir compreender esta última frase. Desculpem aí, manos: eu quis dizer que os carinhas, hoje, precisam de dicionário pra entender gibi da Monica, na onda dos sarados e popozudas que vêem na telinha, e que vou dar uma força pra essa parada aí, porra.)

Eu explico mais ainda: é que, aproveitando o gancho do Salão do Livro Infanto-Juvenil, em novembro agora no Parque do Ibirapuera, Sampa, pensei em escrever sobre a importância da leitura. Algo leve mas suficiente para despertar em meia dúzia de jovens o gosto pela leitura (de que? De tudo! De jornais a livros de filosofia; de bulas de remédio a conselhos religiosos; de revistas a tratados de física quântica; de autores clássicos a paulos coelhos.)

Daí aconteceram três coisas que me fizeram mudar de rumo e de idéia.

Primeiro eu li que fizeram, alguns meses atrás, um teste de leitura com estudantes do ensino fundamental de uma dezena de vários países. Era para avaliar se eles entendiam de verdade o que estavam lendo. Adivinhem quem tirou o último lugar, até mesmo atrás de paizinhos miseráveis e perdidos no mapa mundi? Acertou, bródi: o nosso Brasil.

Logo depois, li uma notícia boa que, na verdade, é ruim: o (des)governo de São Paulo anuncia maior número de crianças na escola. Mas adotou a política da não reprovação. Traduzindo: neguinho passa de ano, sim, mas continua técnicamente analfabeto. Porque ler sem raciocinar é como preencher um cheque sem saber quanto se tem no banco.

E, por último, li em pesquisa publicada recentemente nos jornais, que para 56% dos brasileiros entre 18 e 25 anos comprar mais significa mais felicidade, pouco se importando com problemas ambientais e sociais do consumo desenfreado. Ou seja, o jovem brasileirinho gosta de comprar muitas latinhas de cerveja, mas toma todas e joga todas nas ruas ou nas estradas, sem remorso.

Viram como ler atrapalha?

A gente fica sabendo de fatos que, se não soubesse, teria mais tempo para curtir o próprio umbigo numa boa, sem ficar indignado e preocupado com a situação atual de boa parte de nossa juventude.

E também faz o tico e o teco (nossos dois neurônios que ainda funcionam no cérebro, já que se dividirmos o quociente de inteligência nacional pelo número de habitantes não deve sobrar mais que isso per capita) malharem e suarem, em vez de ficarmos admirando o crescimento do bumbum e do muque no espelho das academias de musculação.

Porisso que, num momento de desalento, decidi que, de agora em diante, como escritor e professor, nunca mais vou recomendar a ninguém que leia mais, que abra livros para abrir a cabeça.

A realidade é brutal e desmentiria em seguida qualquer motivo que eu desse para um jovem tupiniquim trocar a alienação pela leitura.

Eu reconheço: a maioria está certa em não ler.

E tem, no mínimo, 5 razões poderosas , maiores e melhores que meus frágeis argumentos ao contrário:

  1. Se ler, vai querer participar como cidadão dos destinos do País. Não vale à pena o esforço. Como disse o Lula (que não teve muita escola, mas sempre leu pra caramba), a juventude não gosta de política, mas os políticos adoram. Porisso que eles mandam e desmandam há séculos;
  2. Se ler, vai saber que estão mentindo e matando montes de jovens todos os dias em todos os lugares do Brasil impunemente; principalmente porque esses jovens não percebem nem têm como saber (a não ser lendo) a tremenda cilada que é acreditar que bacana é mentir e matar também;
  3. Se ler, vai acordar um dia e se perguntar que diabo é isso que anda acontecendo neste lugar, onde só ladrões, corruptos, prostitutas e ignorantes, aparecem na mídia;
  4. Se ler, vai ficar mais humano e, horror dos horrores, é até capaz de sentir vontade de se engajar num trabalho comunitário, voluntário e parar de ser egoísta;
  5. Se ler, vai comparar opiniões, acontecimentos, impressões e emoções e acabar descobrindo que sua vida andava meio torta, meio gado feliz.

O espaço está acabando e me deu vontade de lembrar que ninguém -nem mesmo alguém que não vê utilidade na leitura - pode achar que há um belo futuro aguardando uma juventude que vai de revólver pra escola e, lá, absorve não conhecimentos mas um baseado ou uma carreirinha maneira. Sim, é outra pesquisa que li, esta dando conta que sete entre dez estudantes brasileiros andam armados, tres entre dez se drogam na escola, sete entre dez bebem regularmente.

Mas páro por aqui já que, apesar destes tristes tempos verdes e amarelos (as cores do vômito, papito), lembro também de tantos poetas, jornalistas e escritores que, ao longo de minha vida de leitor apaixonado, me deram toques de esperança, força e fé na mudança.

De um especialmente - o poeta Tiago de Melo - com seu verso comovido e repleto de coragem:

"Faz escuro, mas eu canto!"

Talvez meu pequeno cantar sirva de guia do homem (e mulher) de amanhã. E que, lendo mais, ele/ela evite de ter como única alternativa para mudar de vida dar a bunda (e a alma) ou engolir baratas (e a dignidade) diante das câmeras de televisão.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgaf7GGX60fN6BY_vk9XNwOpLaXqNwmk_nPbZTVu8pXeJs6vgMeaEx95PHOsDxBOPx4hnjIq7B-rKEBQ9djJzIy1fDOIOG6oTGfARtKFMdig6UZtRTyB7IfkmdC9At2J5koa5ZmrXWeoCk/s400/livros2.bmp

Começo do ano acadêmico

Olá pessoal,

Gostaria de avisar que estou voltando as postagens no blog. Meu ano acadêmico acaba de começar e minha animação é tamanha que me impulsiona a querer novamente dividir com vocês a maior parte de meus conhecimentos.
Acredito que todos já saibam que mudei de área. Fazia um curso técnico integrado em eletrotécnica no IFPB e o normal seria seguir a carreira de Engenheiro Eletricista. No entanto, mudei drasticamente. Atualmente comecei a cursar letras na UFPB, e me encontro muito animado. Esta era definitivamente a minha paixão e querer assumir isso como profissão exigiu de mim muita força e coragem. Sei que não será um caminho fácil, mas com muita determinação e fé, tenho certeza que Deus me abençoará e ajudará a alcançar objetivos que almejo.
Bom, isso é tudo por enquanto. Aguardem novas postagens...
http://www.ead.ufsc.br/files/2008/12/91133-48.jpg

By: Pedro Felipe

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Como surgiu a Copa do Mundo?

Olá pessoal.

Faltam apenas 11 dias para a copa e, em homenagem a estes torneio que faz o mundo inteiro vibrar, estou postando um texto bem legal que fala um pouco sobre a história da Copa. Boa Leitura:

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgn8WFM84Md3XSVdAyzwVizlKfNucpWRbFkiR6sFBnywI01DL7FIU2zuPiCYaaPXu0BUiIGimBw__Ua8tVXOdO33svHHTEI2woBv4vRFNcTsy20hgSr3mBM1QMKKifdh2Yx7v7t-vxvHQc/s1600/AA.JPG

História das Copas: a bola começa a rolar no Uruguai em 1930

Extraído de: Nominuto.com Março 23, 2010

O Nominuto começa a desfiar um pouco da história das Copas do Mundo; a primeira parada é Montevidéu, em pleno inverno de 1930 com 13 times.



A Copa do Mundo vem agitando as multidões há nada menos que 80 anos e o Nominuto começa agora, a 79 dias da Copa da África, a desfiar um pouco da história do principal evento do futebol mundial.

A história da Copa do Mundo e suas edições tem início não na Europa, onde surgiu o futebol, mas sim na América do Sul. A bola rolou pela primeira vez em uma competição reunindo os filiados da Fifa no meio do inverno de Montevidéu, no Uruguai. Só o futebol. Mas, e antes disso? O que havia?

Antes da Copa

Antes da Copa, o que havia mais próximo de um torneio internacional de futebol era a disputa da modalidade nos Jogos Olímpicos em 1908 o football já estava no rol de modalidades olímpicas. A Fifa, criada em 1904, reconheceu o torneio olímpico em 1914 e se responsabilizou pelo futebol nas Olimpíadas nas edições de 1920, 1924 e 1928.

Na década de 1920 começou a brotar a ideia de uma competição distinta dos Jogos Olímpicos, apenas com futebol, ideia que passou a ser alimentada por Jules Rimet (falecido em 1956; presidiu a Fifa de 1921 a 1954).

Em 1928, em meio à Olimpíada de Amsterdã, exatamente no dia da estreia do futebol, Rimet soltou o verbo: em uma conferência, anunciou planos de montar um torneio aberto a todos os membros da Fifa. Logo, a Itália, a Suécia, os Países Baixos (atual Holanda), Espanha e Uruguai se inscreveram para sediar a competição.

Atravessando o Atlântico


Decidiu-se que o Uruguai sediaria a Copa. Para as equipes europeias, ficou difícil, a começar do deslocamento. Para começo de história, não havia transporte aéreo quer dizer, o avião já existia, mas ainda ia demorar um pouco para se configurar a aviação comercial como conhecemos hoje. As viagens entre os continentes, em 1930, eram feitas de navio. Navio! E eram viagens longas e caras.

Quase que as equipes europeias não vinham. Em fins de abril de 1930, dois meses depois do fim do prazo marcado para as inscrições (encerradas em fevereiro), nenhuma seleção do Velho Continente havia se inscrito. Foi preciso a Fifa e o governo uruguaio prometerem garantir o custeio da viagem para virem de lá para cá quatro países - Bélgica, França, Romênia e Iugoslávia.

Falando em participantes, amtes que alguém pergunte se houve eliminatória, como ocorre hoje, a resposta é... não. Todos os participantes foram convidados pela Fifa.

Os jogos no Uruguai


Os jogos foram realizados em Montevidéu, a capital uruguaia, de 13 a 30 de julho de 1930 - em pleno inverno! - , nos estádios Centenário (construído especificamente para a Copa), Pocitos e Parque Central (que comportavam no máximo 20 mil pessoas).

Exatas 13 equipes participaram da competição além do anfitrião Uruguai e do Brasil, estiveram nesta primeira Copa as seleções da Argentina, Chile, França, México, Bolívia, Iugoslávia, Peru, Romênia, Estados Unidos, Paraguai e Bélgica.

Ao todo, foram realizados 18 jogos, dez deles no Centenário e ao fim a taça, a Copa daquela competição pioneira, ficou com o anfitrião Uruguai mesmo, que na grande final venceu a Argentina por 4 a 2.

Quatro anos depois - em 1934 a competição teria lugar na Europa, mais precisamente na Itália. Mas esta é uma história que fica para o próximo episódio...

O Brasil na Copa


E o Brasil? A seleção comandada por Píndaro Carvalho participou de apenas duas partidas. A estreia foi contra a Iugoslávia no dia 14 de julho, no Parque Central. O tempo estava um gelo frio de dois graus, mais uma chuva que forçou o árbitro local Aníbal Tejeda a interromper mais de uma vez o jogo. A Iugoslávia saiu na frente, com gols de Timanic (aos 21 minutos do primeiro tempo) e Bek (aos 30 minutos); o Brasil fez seu gol de honra e seu primeiro em Copas do Mundo com Preguinho, aos 17 minutos do segundo tempo. Placar final: Brasil 1 x 2 Iugoslávia.

Três dias depois, a Iugoslávia aplicou 4 a zero na Bolívia, ficando com uma vaga às semifinais e eliminando o Brasil que no dia 22 cumpriu tabela ante os bolivianos no Centenário, diante de pouco mais de 3 mil pessoas. Píndaro trocou meio time e... Brasil 4 x 0 Bolívia, gols de Moderato (aos 37 do primeiro tempo e aos 28 do segundo tempo) e de Preguinho (aos 12 e aos 38 do segundo tempo, tornando-se o primeiro artilheiro do Brasil na Copa). E assim foi a participação do Brasil no Uruguai.

Todos os jogos de 1930

DataFaseGrupoJogo
13.07.1930Classif1França 4 x 1 México
13.07.1930Classif4Estados Unidos 3 x 0 Bélgica
14.07.1930Classif2Iugoslávia 2 x 1 Brasil
14.07.1930Classif3Romênia 3 x 1 Peru
15.07.1930Classif1Argentina 1 x 0 França
16.07.1930Classif1Chile 3 x 0 México
17.07.1930Classif2Iugoslávia 4 x 0 Bolívia
17.07.1930Classif4Estados Unidos 3 x 0 Paraguai
18.07.1930Classif3Uruguai 1 x 0 Peru
19.07.1930Classif1Argentina 6 x 3 México
19.07.1930Classif1Chile 1 x 0 França
20.07.1930Classif2Brasil 4 x 0 Bolívia
20.07.1930Classif4Paraguai 1 x 0 Bélgica
21.07.1930Classif3Uruguai 4 x 0 Romênia
22.07.1930Classif1Argentina 3 x 1 Chile
26.07.1930Semifinais-Argentina 6 x 1 Estados Unidos
27.07.1930Semifinais-Uruguai 6 x 1 Iugoslávia
30.07.1930Final-Uruguai 4 x 2 Argentina

Uruguai campeão


Fatos curiosos

  • A seleção brasileira de 1930 era basicamente formada por atletas cariocas. Não que apenas os jogadores do Rio de Janeiro fossem mais capazes que qualquer outro; o fato curioso de deu por conta de pirraça entre dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos (CBD, antecessora da hoje CBF) e da Associação Paulista de Esportes Atléticos. No fim, foram cortados os atletas que atuavam no futebol paulista, com exceção do atacante Arakém, que na época da convocação estava sem clube. Sorte dele: se estivesse em algum time, nem teria sido chamado...
  • Eis os plantel do Brasil na Copa de 1930 - os goleiros Joel (América) e Velloso (Fluminense ); os zagueiros Brilhante (Vasco ), Itália (Vasco ) e Zé Luiz (São Cristóvão); os meiocampistas Hermógenes (América), Oscarino e Manoelzinho (Ipiranga de Niterói), Fausto (Vasco ), Fernando, Ivan e Fortes (Fluminense ), Benvenuto (Flamengo ) e Pamplona (Botafogo ); e os atacantes Moderato (Flamengo ), Carvalho Leite, Nilo e Benedito (Botafogo ), Preguinho (Fluminense ), Poly (Americano), Russinho (Vasco ), Teófilo e Doca (São Cristóvão), e Arakém.
  • Dois navios trouxeram boa parte das equipes que participaram da Copa no Uruguai. Romenos, belgas e franceses chegaram no navio SS Comte Verde (na mesma embarcação ainda vieram Jules Rimet, a taça e três árbitros além da delegação brasileira, que embarcou quando o navio fez uma parada no Rio de Janeiro); os iugoslavos, no navio-correio Florida.


Autor: Por Rogério Torquato

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Pensando sobre como mudar nosso país...

Olá pessoal...

Hoje me senti inspirado para começar uma discussão, aqui no blog, sobre temas que são determinantes para a formação de cidadãos pensantes e realmente atuantes na sociedade brasileira.

O primeiro deles é, evidentemente, a educação. A formação do senso crítico na juventude brasileira, principalmente a mais carente, é o principal desafio para edificação de um país bem estruturado.

O segundo é a garantia de qualidade de vida a todos os habitantes dessa nação. Já chega de esmolas do governo. Elas alienam a classe pobre, que é a grande maioria, a permaner no estado de inércia em vez de incentivar a busca por formação para atuação no mercado de trabalho.

Com esse sistema implantado e consolidado, continuamos a nos afundar ainda mais num poço que não tem mais fim. A única solução é a difusão da informação. Por isso eu convoco todos aqueles que ainda sonham com um país melhor, para uma mobilização ativa pela busca de melhorias. E não há mobilização maior, nesse país, do que o voto. Temos que mostrar aos brasileiros a verdadeira importância que ele (o voto) tem e como usá-lo de maneira digna.

Como disse Karl Max, agora eu repito: "Cidadãos marginalizados, massacrados, oprimidos e esquecidos deste país, uni-vos!!!!!" Construamos uma nação melhor...

http://www.fenastc.org.br/site/imagens_noticias/ID_36_olhosbrasileiros18pf%20(img104%20imageshack%20us).jpg

terça-feira, 6 de abril de 2010

Filhos de políticos nas escolas públicas

Olá Pessoal,

Olha que excelente proposta o Senador Cristovam Buarque colocou em pauta na mesa redonda do congresso:

Filhos de políticos nas escolas públicas

Como melhorar a educação? Obrigando presidente, governadores, prefeitos e parlamentares a testar o ensino público - com suas próprias crianças.

por Cristovam Buarque

Quanto custa estudar no Brasil? Depende. Se você estiver entre os 20% mais ricos da população, vai chegar ao fim de 20 anos de colégio e faculdade com uma formação de aproximadamente R$ 250 mil. Isso significa cerca de R$ 1 mil por mês. Nessa conta entram o dinheiro que você tira do próprio bolso para pagar as mensalidades e a contribuição que o governo faz (com investimento em universidades estatais e deduções de imposto). Agora, se você fizer parte dos outros 80%, sua educação receberá um investimento bem menor: o equivalente a R$ 116 por mês. Esse é o total gasto pelo país por aluno para manter as escolas públicas, onde não se passa muito tempo. Em média, essa parte da população completa só 5 anos de estudo formal, geralmente entre os 7 e os 11 anos de idade.

Ou seja: enquanto ricos estudam em escolas de qualidade por um longo tempo, o resto estuda por pouco tempo em escolas ruins. Como senador, tenho um projeto que pretende amenizar essa desigualdade. Minha proposta é a de que políticos eleitos - vereadores, prefeitos, deputados, senadores e o presidente - fiquem obrigados a matricular seus filhos em escolas públicas. Caso contrário, perderão seu mandato. O projeto já foi apresentado e agora espera avaliação do Senado e da Câmara.

No Brasil do passado, só classes com influência tinham vaga nas boas escolas públicas. Filhos de pobres não estudavam, ou frequentavam colégios particulares mantidos pela Igreja Católica, como seminários. Hoje filhos de eleitos estão entre os 20% mais ricos, em geral. E vão a colégios particulares.

Em lugares como Reino Unido e Cingapura, políticos nem pensam em colocar os filhos em escolas particulares. Os eleitores não aceitariam essa escolha, porque ela significaria ignorar a boa qualidade das escolas públicas de lá. Se um político é descoberto matriculando o filho no ensino privado, acaba nos jornais. Tem de se desculpar publicamente e transferir a criança para uma instituição pública.

Se políticos brasileiros tiverem de matricular os filhos em escolas públicas, elas receberão mais atenção dos governantes. O resultado será um ensino de qualidade para todos. E um país mais próximo dos princípios republicanos, com uma sociedade unida, sem divisão entre aristocracia e plebe. Há quem diga que essa obrigação fere a liberdade do político. Mas todo cidadão é livre para não ser candidato. Se ele opta pela vida pública, deve assumir obrigações. Esse seria só mais um de seus compromissos com os eleitores, com a nação e com a República.

*Cristovam Buarque é professor de economia da Universidade de Brasília e senador pelo PDT/DF.

quarta-feira, 24 de março de 2010

A apropriação de conhecimento e a construção do verdadeiro saber

Olá galera...

Hoje vim refletir com vocês a questão da apropriação de conhecimento por parte dos estudantes nas escolas de ensino fundamental e médio do nosso país. Você acha que a formação do saber está ligada somente ao estudo teórico das disciplinas? Ou a verdadeira formação está ligada a compreensão do mundo através dos conhecimentos adquiridos na escola? Como será que estamos formando os nossos futuros pesquisadores, se não os ensinamos o verdadeiro valor do que se aprende em sala de aula e até onde aquilo é uma verdade absoluta?

É de extrema importância a adequada apropriação de conhecimentos por parte de nós, estudantes: àquela em que vemos, através dos livros e da oratória do professor, a imagem da realidade. O que acontece geralmente é a inversão do aprendizado, e o que aprendemos, ou decoramos, são os veículos em que esta realidade é transmitida, ou seja, não fazemos uma leitura em cima do material que nos é posto e nem o associamos com a realidade em si, mas aprendemos o jeito como ela é retratada nesse veículo.

Uma visão crítica é determinante para o verdadeiro aprendizado. A passividade sobre o que nos é posto é inimiga da formação do verdadeiro saber. A contextualização e a prática ativa do que aprendemos na escola é a chave mestra para o caminho da ciência. As escolas brasileiras precisam pensar no verdadeiro sentido do saber: a formação de uma sociedade próspera, justa, consciente e atuante, no que diz respeito à luta pelo bem-estar comum. Esse deve ser o sentimento, ou melhor, o conhecimento que suscita a prática da ciência.

Por: Pedro Felipe de Lima Henrique

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgMi2AP0NjFwJl84fVFaCb0aNRD3LVvnGFVjW2G0cmK6AsDvGhprxcgdAH3Sbt3dpOEC-u4fSdVfF4h1w9SnvfX59z_Kod4QlaBNHWrL_D5kJnxm-dbi94rkszPiBW13NrFQtdfSJ4inG8/s400/estudando.gif

sábado, 20 de março de 2010

Como fazer leitura dinâmica

Olá Galera...

Olha que texto suprinteressante que eu achei:

Como fazer leitura dinâmica

Cansou de perder tempo com textos sem fim? Com as nossas dicas, qualquer um pode ser um The Flash dos livros

por Texto Luisa Destri

1. Elimine os ruídos

Desligue a TV, coloque o computador para descansar, prenda o cachorro e esqueça o celular. Sente-se confortavelmente sob um abajur e faça estes exercícios com um texto da SUPER que você já leu várias vezes, porque é importante treinar com uma informação que você domina.

2. Descubra a sua marca inicial

Cronometre um minuto no relógio e conte quantas palavras você consegue ler nesse tempo. Um leitor normal lê 150 palavras por minuto, com 60% de aproveitamento. Já um leitor dinâmico lê de 5 a 8 vezes melhor: 800 palavras, com compreensão de 80%.

3. Use os dedos

Tome cuidado para não pronunciar o que lê, mexendo a boca. Também tente evitar voltar sempre para a mesma linha do texto. Aí o jeito é acompanhar as linhas com o dedo. Agora é só acelerar e ler mais rápido. Você não vai entender nada no começo, mas seu cérebro vai ser forçado a absorver informações.

4. Visualize blocos

Com a aceleração, seu pensamento vai mudar e seus olhos aprenderão a focar em um único ponto da palavra. É aí que acontece a mágica: você não verá mais o texto como uma seqüência de letras, mas em unidades de pensamento.Para ler, você vai passar das sílabas para as palavras e das palavras para as idéias centrais do texto.

5. Troque de leitura

Vá aos poucos mudando o tipo de texto. Daquela reportagem que você já decorou, passe para notícias sobre celebridades, por exemplo, que são simples. Você conhecerá rapidamente as últimas bagunças de Paris Hilton – talvez até antes de ela cometer outra. Depois procure algo mais denso. Quer ter uma noção exata? É possível ler Dom Casmurro, que tem mais de 65 mil palavras, em 80 minutos.

Agora teste suas novas habilidades

Sua leitura estará dinâmica quando você absorver esta página em 24 segundos.

Fontes Alcides Shotten, diretor-executivo da Methodus, Predictores Neuropsicológicos de la Lectura em Español, artigo publicado na Revista de Neurología.

http://www.centrodeaprendizagem.com.br/Images/Areas/%7B18CF103F-D1E0-4A3B-AB2D-68E25EE572EE%7D_200407903-001.jpg

terça-feira, 16 de março de 2010

Geopolítica do Oriente Médio

Oi galera...
É sempre bom ficar informado sobre o que está acontecendo no mundo. Os principais conflitos etnico-culturais em plena atividade estão localizados no Oriente Médio. Todos os dias lemos em jornais e revistas artigos relacionados a este tema. Mas você entende os motivos pelos quais esses acontecimentos outrora surgem, e suas consequencias são tão drásticas? Entenda o porque destes conflitos lendo o texto abaixo:

Geopolítica do Oriente Médio

(Este texto está de acordo com as normas do novo Acordo Ortográfico)




Rastro de destruição: resultado da guerra do Líbano em 2006.

O Oriente Médio pode ser considerado como a parte do planeta que mais apresenta focos de conflitos, com destaque para as divergências entre árabes e judeus. Fato que teve início a partir da instauração do Estado de Israel, em 1947. Doravante a essa data, sucederam vários conflitos armados entre as duas nações.

Em 1988, Palestina e Israel iniciaram suas participações em acordos de paz. Em 1993, por exemplo, Yitzhak Rabin, primeiro ministro israelense daquele momento, e Yasser Arafat realizam um acordo de paz.

Tal acordo tinha caráter interino, dando autogoverno aos palestinos sobre os territórios ocupados, fato que permitiu um cessar fogo. No entanto, isso não foi suficiente, pois os atentados se intensificaram na região, desencadeados pela insatisfação por parte dos grupos radicais palestinos e israelenses. O problema se tornou ainda maior com a morte do primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin, assassinado por um estudante judeu ortodoxo contrário a retirada israelense da Cisjordânia.

Yitzhak foi sucedido por Shimon Peres, que seguiu com o processo de paz iniciado. No ano de 1996, Yasser Arafat foi eleito presidente da Autoridade Palestina com um elevado número de votos (88,1%).

A formação de um Estado palestino não aconteceu de maneira completa, tendo em vista que o controle militar e das relações exteriores ainda era de responsabilidade dos israelenses. No final da década de 90, os conflitos se tornaram frequentes pela iniciativa dos grupos radicais palestinos e israelenses, isso prejudicou o processo de formação do Estado da Palestina.

Os conflitos se estenderam até os primeiros anos da década de 2000, tendo um aumento significativo na incidência de casos de atentados e confrontos armados, principalmente de ataques suicidas por parte dos palestinos. Desse modo, Israel respondeu rapidamente às ofensivas com diversos ataques ao território palestino, ocasionando a morte de terroristas e civis.

Diante do quadro desolador, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou e propôs, através dos Estados Unidos, a criação de um Estado palestino. Mesmo com essas iniciativas, o quadro geopolítico atual ainda é bastante conturbado, marcado por um elevado número de conflitos armados e atentados. Parece que as divergências não têm fim, tendo em vista que os israelenses culpam palestinos por não punir os extremistas contidos no território de sua atuação. Já os palestinos culpam os israelenses por agravar ainda mais a situação ao responder de forma armada aos ataques terroristas de seus extremistas. Em suma, parece que esse conflito é interminável, diante de tamanha intolerância externalizada pelos dois lados.

Não é possível destacar conflitos no Oriente Médio sem mencionar a questão do Iraque. No ano de 1990, o Iraque invadiu o Kuwait com o pretexto de que esse país não estava cumprindo com as normas da OPEP quanto ao volume de produção de petróleo. Ofensiva interferida pelos Estados Unidos, com a aprovação da ONU. Desse modo, iniciou a guerra do Golfo, que durou de 17 de janeiro até 28 de fevereiro de 1991, finalizando com a derrota dos iraquianos, frustrando os planos do líder Saddam Hussein. Essa guerra deixou um saldo de centenas de milhares de mortes, sobretudo de soldados e cidadãos do Iraque. Apesar de ter sido derrotado, o líder ditador não foi destituído do cargo, por outro lado, os Estados Unidos instauraram um embargo econômico, fato que intensificou os problemas sociais no Iraque.

Há outro problema geopolítico envolvendo o Iraque, a aspiração do povo curdo em obter sua independência política e territorial. No ano de 1991, os curdos tentaram buscar sua independência em relação ao Iraque, mas foram agressivamente impedidos pelas forças iraquianas que promoveram um verdadeiro massacre, milhares de curdos foram mortos, além disso, aproximadamente 500 mil se refugiaram para as montanhas existentes na região. Isso terminou somente com a intervenção da ONU, que criou uma barreira de proteção em favor desse povo.

Em 2001, no dia 11 de setembro, os Estados Unidos sofreram ataques terroristas, desse modo, o então presidente norte-americano George W. Bush solicitou junto à ONU aprovação para invadir o Iraque, pedido que não obteve aprovação de grande parte dos integrantes da organização. Apesar disso, os Estados Unidos invadiram o Iraque, e, em março de 2003, iniciou uma guerra, provocando a rendição daquele país. Além disso, os norte-americanos destituíram Saddam Hussein da presidência do Iraque. Apesar do fim do governo ditador de Saddam, os conflitos ainda ocorrem e a estabilidade política parece que está distante de acontecer.

Existe ainda no Oriente Médio a luta pela posse das bacias hidrográficas e águas subterrâneas, que tem motivado o surgimento de focos de conflitos armados, um exemplo disso é a bacia do rio Jordão, disputada entre Israel, Líbano, Síria e Jordânia. Há também uma acirrada disputa pelas bacias dos rios Tigre e Eufrates por parte da Turquia, Síria e Iraque.

Por Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O que você achou do SiSU?

Bom dia blogueiros...

Hoje, gostaria de abrir uma discussão sobre o mais novo método de seleção para as universidades brasileiras, o Sistema Seleção Unificada (SiSU). Gostaria de saber o que vocês acharam dessa nova iniciativa do MEC e quais as repercussões que ela trará à educação pleiteada no ensino médio. Comentem e expressem sua opinião.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A pílula da inteligência vem aí. Você tomaria?

E aí pessoal...

Estava foheando a revista superinteressante e vi um reportagem que falava sobre um tipo de pílula da inteligência. Fiquei um tanto cuioso e resolvi dar uma pesquisada na net. Esse tipo de medicamento, acreditem, é usado para pessoas com doenças mentais, no entanto, de acordo com vários depoimentos, elas funcionam como estimulantes de raciocínio e de memória nas pessoas sadias. Há quem goste ou não dessa ideia, estudos estão sendo feitos em busca de respostas e da captação de prováveis efeitos colaterais a longo prazo. Deem uma na reportagem abaixo, que este assunto é, no mínimo, interessante.

A pílula da inteligência vem aí. Você tomaria?

Imagine uma pílula que não causasse efeitos colaterais, barata, e que depois de tomar seu QI aumentasse vários pontos. Você usaria?

Um grupo de cientistas, verdadeiros pesos-pesados na área de neurociência, saúde pública, direito e ética, lançou esta semana um manifesto na prestigiosa revista Nature, pedindo para acelerar as pesquisas -e se possível a liberação para consumo- de drogas que aumentam a inteligência.

A idéia seria, caso as pesquisas não demonstrem nenhum efeito colateral, que adultos tivessem a liberdade de ingerir livremente essas substâncias, sem nenhum tipo de criminalização.

Que um grupo de cientistas e juristas desse porte peça a liberação desse tipo de “doping” mental pode parecer uma loucura para muitos, mas a leitura atenta do artigo dá algumas pistas sobre os reais motivos.

O fato é que, como veremos, o problema já está colocado na sociedade, e ele exige respostas científicas -que só serão conseguidas mediante muita pesquisa-, e análise dos aspectos éticos por parte da sociedade.

QUESTÃO CIENTÍFICA
Não é de hoje que pesquisadores tentam descobrir medicamentos para tratar doenças cerebrais, como o mal de Alzheimer, a esquizofrenia, o transtorno de déficit de atenção – hiperatividade (TDAH), o mal de Parkinson, etc.

Muitas dessas doenças provocam danos cognitivos devastadores, e o paciente passa a ter parte de suas atividades mentais comprometidas, tanto na sua capacidade de aprendizado, memorização, compreensão, linguagem, distúrbios de sono, etc.

Nos últimos anos, o uso de algumas drogas como a Ritalina, Adderall, modafinil, donepzil, entre outras, provocaram melhoras importantes no quadro clínico desses pacientes, permitindo uma notável recuperação na qualidade de vida. Entretanto, algumas dessas drogas passaram a ser consumidas (ilegalmente ou sem prescrição) por indivíduos sadios, os quais também descreveram melhoras no desempenho intelectual.

Pesquisas mostram que aproximadamente 7% dos alunos universitários dos Estados Unidos já consomem essas substâncias, e em alguns campi, o consumo atinge 25% dos estudantes.

Entretanto, como esses medicamentos são recentes ainda não existem suficientes estudos que nos permitam saber quais os efeitos colaterais do se uso a longo prazo, principalmente quando ingeridos por indivíduos sadios. Não há estudos que avaliem ao certo quanto melhor o cérebro funciona, quanto aumenta nosso QI, nem os efeitos dessas drogas sobre o cérebro -em formação- de crianças e adolescentes.

Tampouco se sabe se o uso desses compostos provoca apenas uma melhora temporária na capacidade cognitiva, ou se as alterações aumentam de fato a capacidade de aprender, através de mudanças permanentes da organização cerebral. Mas como a droga já está sendo consumida, o pedido dos cientistas para aumentar as pesquisas (de preferência por instituições públicas) faz todo sentido.

QUESTÃO ÉTICA
O surgimento deste tipo de drogas coloca uma série de desafios éticos que, uma vez respondidas as questões científicas, devem ser analisados pela sociedade. Apenas para citar alguns dos problemas que já estão surgindo:

- O exercito dos Estados Unidos atualmente subministra aos soldados alguns desses medicamentos, sendo que o consumo não pode ser recusado pelos mesmos. +Sob efeito dessas substâncias, os soldados mostram um melhor desempenho, maior capacidade de discriminação, e reflexos mais apurados. As conseqüências são óbvias. Podem vir a se transformar em máquinas de matar extremamente eficientes.

-Seria ético que um empresário passasse a exigir que seus funcionários fizessem uso desses medicamentos para aumentar o desempenho e a produtividade? A exigência formal não seria nem necessária. A maior produtividade de um funcionário que faz uso da droga poderia obrigar seu colega a também ingeri-la para manter seu emprego.

-Seria correto que um colégio, para melhorar o desempenho escolar dos alunos, incentivasse o uso desses medicamentos? Insano? É bem provável que muitas escolas já estejam fazendo isso com a Ritalina, alegando que os alunos não aprendem por que são hiperativos.

-E num vestibular? Seria justo que apenas alguns estudantes utilizassem esse doping mental e outros não? Seria justo que apenas os que podem pagar por esses medicamentos possam fazer uso deles em detrimento dos outros?

-Caso não sejam observados efeitos colaterais importantes, quais seriam as conseqüências globais para a sociedade se todos os indivíduos tivéssemos acesso a drogas que nos tornem mais inteligentes?

É isso aí. Parece que o futuro chega cada vez mais rápido. O antídoto para não nos pegar desprevenidos é informação, informação, e mais informação. Ficar mais inteligente mediante o uso de drogas pode parecer antinatural.

Mas não mais antinatural que a roupa que usamos, a casa onde moramos, o carro que nos transporta, a medicação que tomamos ao longo da nossa vida para viver mais e melhor, os óculos que estou usando para escrever este artigo, e o papel sobre o qual ele estará escrito amanhã.
Você não acha?


Do autor: Roelf Cruz Rizzolo é professor de Anatomia Humana da Unesp, câmpus de Araçatuba, Este artigo foi publicado inicialmente na coluna Ciência do jornal Folha da Região, em Araçatuba, SP

Fonte: Towards responsible use of cognitive-enhancing drugs by the healthy; Nature, doi:10.1038/ 456702a; Published online 7 December 2008; Henry Greely e cols.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A Energia que vem das estradas.

Mais um brilhante idéia de se obter energia "limpa". Confira a matéria da Isto É:

A energia que vem das estradas
Através de geradores, israelenses transformam o tráfego intenso de veículos em eletricidade

Luciana Sgarbi

A TODO VAPOR Caminhões passam em rodovia de Israel e ajudam a iluminar casas

Há muito tempo que as grandes cidades de todo o mundo andam nubladas, cobertas pela poluição. E esse "cobertor" tem peso: são cerca de três bilhões de toneladas de gás carbônico pairando anualmente sobre a sua população. Mais preocupante, ainda, é o fato de que essa carga pesada se refere apenas à poluição produzida pelo elevado número de veículos circulando.

Foi pensando nisso que a companhia israelense do setor de energia Innowattech se propôs a usar o próprio problema como solução - transformar o tráfego da hora do rush em fonte de eletricidade "limpa". A empresa começou a instalar geradores especiais sob rodovias e trilhos capazes de produzir energia em massa através dos meios de transporte. Exemplo: entre três e seis centímetros de profundidade no solo da estrada de Haifa, ao norte de Israel, há geradores que transformam em energia a força mecânica da pressão dos pneus dos veículos. Trata-se de um processo tecnológico chamado piezeletricidade.

Uma única faixa, de um quilômetro, equipada com o gerador, já está fornecendo aos israelenses 0,5 megawatt por hora, o suficiente para iluminar 600 casas durante um mês. "Teremos a maior rodovia piezelétrica do mundo", diz Uri Amit, presidente da Innowattech.

Um dos desafios era determinar o material ideal na montagem desses geradores e optou-se por peças de cerâmica, uma vez que elas acusam com extrema rapidez o peso dos veículos. Outra questão: onde posicioná-los? Como 80% da energia será sempre gerada por caminhões e demais automóveis pesados e mais largos, os pesquisadores concluíram que os geradores têm de ficar posicionados a 60 centímetros do acostamento. Na fase de testes, eles foram ligados a um aparelho que mede a corrente elétrica. Quando um caminhão passava, a corrente subia. No poste, o resultado: as lâmpadas se acendiam. Para quem dirige na nova estrada os geradores são imperceptíveis.

Apesar de serem comprovadamente eficientes, os geradores têm limitações: coletam fluxos estáveis de eletricidade somente em estradas e trilhos em que haja tráfego intenso. Ocorre, porém, que o pico de demanda energética da manhã e da noite por parte da população coincide com o horário em que o movimento de carros é bem mais pesado. Feliz coincidência. "Podemos produzir eletricidade em qualquer lugar onde haja uma estrada agitada usando energia que normalmente é desperdiçada", diz Amit. Por enquanto, o custo do projeto é de US$ 650 mil por quilômetro.


Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2060/tecnologiaa-energia-que-vem-das-estradasatraves-de-geradores-israelenses-transformam-132839-1.htm

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Por que comemoramos o Dia do Trabalho?



No Brasil, 1º de maio é feriado desde 1925. Em muitos outros países também se comemora o Dia do Trabalho em 1º de maio. Mas por que essa data? Qual sua relação com o trabalho?

História

Tudo tem início com uma greve deflagrada em Chicago no dia 1º de maio de 1886. Indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século 18 e durante o século 19 pagavam baixos salários e provocavam a deterioração da saúde física e mental dos trabalhadores com jornadas de trabalho que chegavam a 17 horas diárias. Não havia férias, descanso semanal e aposentadoria.

Greves explodiam por todo o mundo industrializado. Em Chicago os trabalhadores eram liderados por duas importantes organizações que dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL - Federação Americana de Trabalho e a Knights of Labor - Cavaleiros do Trabalho.

No dia 3, permanecendo a greve iniciada havia dois dias, a policia disparou contra um grupo de operários diante da fábrica McCormick Harvester, matando 6 e ferindo 50. Centenas foram presos. Dia 4, ao final de uma manifestação, um grupo de policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Centenas de pessoas morreram.

Foram levados a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. A sentença foi lida dia 9 de outubro - Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua, e Neeb, a 15 anos de prisão.

Quase seis anos depois dessa “batalha” em Chicago, no Congresso da Segunda Internacional em Bruxelas, de 16 a 23 de setembro de 1891, foi aprovada resolução que tornava o 1º de maio um dia comemorativo de trabalhadores no mundo todo, durante o qual eles deveriam manifestar suas reivindicações.

http://lomba.blogs.sapo.pt/arquivo/1maio.jpg

Manifestações do Primeiro de Maio de 1886

Comemorações

No Brasil, a primeira celebração da data de que se tem registro ocorreu em Santos, em 1895, por iniciativa do Centro Socialista, mas a data só foi consolidada em 1925, quando o presidente Artur Bernardes baixou um decreto instituindo o 1º de maio como feriado nacional.

No governo de Getúlio Vargas 1º de maio era a data em que eram anunciadas as principais leis e iniciativas que atendiam a reivindicações dos trabalhadores:

  • instituição e, depois, o reajuste anual do salário mínimo;
  • redução de jornada de trabalho para 8 horas;
  • criação do Ministério do Trabalho;
  • promoção de uma política conjunta dos sindicatos ao Estado;
  • regulamentação do trabalho da mulher e do menor;
  • promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garantindo o direito a férias e aposentadoria.

A Constituição de 1988 instituiu as férias remuneradas, o 13º salário, multa de 40% do saldo do FGTS por rompimento de contrato de trabalho, licença maternidade.

As primeiras comemorações do Dia do Trabalho nos Estados Unidos eram celebradas pelos sindicatos trabalhistas e apesar de existirem certas especulações sobre quem teria sido o idealizador, a maioria dos historiadores credita a Peter McGuire, secretário geral da Fraternidade dos Carpinteiros e Marceneiros e co-fundador da Federação Americana do Trabalho, a idéia original de um dia dedicado a que os trabalhadores mostrassem sua solidariedade.

O presidente Grover Cleveland assinou uma lei que designava a primeira segunda-feira do mês de setembro como o Feriado Nacional do Dia do Trabalho. Esse fato é interessante, pois Cleveland não era um defensor dos sindicatos trabalhistas. Na verdade, ele estava tentando reparar alguns danos políticos que sofrera anteriormente, ao enviar tropas federais para acabar com uma greve da American Railway Union (Sindicato das Ferrovias dos EUA) na Pullman Co., em Chicago, Illinois. Essa ação resultou na morte de 34 trabalhadores.

Você sabia?

Em alguns países o Dia do Trabalho é comemorado em outras datas:

Estados Unidos - primeira segunda-feira de setembro

Austrália Ocidental - 4 de março

Austrália Meridional - 7 de outubro

Espanha - 18 de julho

Fonte: http://pessoas.hsw.uol.com.br/questao459.htm

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Por que mentir?

Oi pessoal...

Hoje, vim divulgar um texto que fiz sobre a mentira para o banco redações da UOL. Não esqueçam de comentar...

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjxa4BL6tykSGXyPmBPHEVHODfmlGBNiBFzsmSB6Isib_LfcLAk27vDG6oUmBGjQcaZNa6VTo4pcPeZ_t3z1sapxeYfIALL8vOrUg2zG3XK_mAIMdwgKGSP5jSTjbtGirXb4pROdL13gZve/s400/mentira.jpg

Por que mentir?

A mentira é uma das realidades mais presentes em nosso cotidiano. Quem nunca mentiu alguma vez? Quem nunca escondeu alguma coisa ou omitiu algum fato, até mesmo por educação? O problema é quando esta ação extrapola os limites éticos e sociais, atingindo a moralidade ou integridade de alguma outra pessoa, entidade ou população. Mais quais os motivos que levam as pessoas a mentirem desse jeito?

Primeiramente devemos analisar os aspectos culturais e sociais que fizeram parte da formação do individuo. Estes fatores são determinantes para constatar padrões de educação e ética, perante ele mesmo e a sociedade. Depois, devemos observar os distúrbios ou traumas que ele pode outrora ter sofrido. Geralmente este fator também é muito importante para uma boa formação psicológica. Dependendo destes fatores podemos encontrar caminhos que nos levem aos motivos das inverdades, digamos que, nocivas, ao ser humano.

Se um ser é criado em uma sociedade que não educa para verdade, com certeza ele não haverá de ser uma pessoa muito honesta. A corrupção, a ganância e opressão são fatores negativos que induzem sociedade em geral à mentira. Mas o seio familiar, que também, dependendo de sua formação, levará o indivíduo ao mesmo caminho, é o principal responsável por esse fato. Sendo um indivíduo criado com fortes princípios éticos, com certeza haverá de se tornar uma pessoa honesta e sincera. Não podemos esquecer também dos fatores psicológicos, que na ocorrência de algum trauma ou distúrbio, podem afetar o comportamento social do ser, levando-o à mentira.

Pessoalmente, acho a mentira um elemento autodestrutivo. Não concordo com ela em nenhuma circunstância. Porém, não critico quem a adote como uma medida de se esquivar de uma situação constrangedora, por exemplo. No entanto, vale mais apena investir em situações claras e verdadeiras, sempre colocando a verdade em primeiro lugar.

Por: Pedro Felipe de Lima Henrique

quarta-feira, 22 de abril de 2009

De olho no novo vestibular...

Ei, você já está sabendo do novo formato do vestibular?
Andei pesquisando na internet e achei coisas bastante interessantes sobre o assunto. E isso é muito importante para nós jovens, que estamos em busca de uma vaga na universidade. Portando, veja esta super matéria da Veja e fique por dentro:

Especial

VESTIBULAR
Vai mudar tudo, menos o mérito

A substituição do vestibular por uma prova unificada começa a valer já neste ano em centenas de universidades. O novo exame é menos massacrante para os alunos, mas continua a selecionar os melhores


Por: Camila Pereira, Monica Weinberg e Renata Betti

Lailson Santos
Os bons passam em todas
Em 2002, nenhum estudante brasileiro foi tão bem-sucedido no vestibular quanto o engenheiro Lucas Mendes, 25 anos. Ele tirou o primeiro lugar em três dos mais concorridos concursos do país: USP, Unicamp e FGV. Preferiu a USP. Às vésperas da formatura, já tinha emprego garantido num banco de investimentos. "Minha meta é ter um negócio próprio"

Mais de 5 milhões de jovens se preparam neste ano para o vestibular, etapa crucial na vida de um estudante brasileiro. Em 2010, cerca de 1,5 milhão conseguirão ingressar numa universidade – mais gente do que nunca. A novidade é que parte desse grupo não fará o tradicional vestibular, mas será avaliada por meio de outro sistema, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) na semana passada. Trata-se da maior mudança já feita no concurso desde 1911, quando ele surgiu no Brasil. Uma verdadeira revolução. Diga-se desde logo: se as intenções forem cumpridas, o novo sistema não prejudicará o mérito. Os melhores alunos continuarão a ser os escolhidos. Mas passarão por um teste mais enxuto e menos voltado para a memorização. Esse exame tem parentesco com o atual Enem, aplicado há uma década pelo MEC a quem conclui o ensino médio – e por isso já é chamado de "novo Enem". Outra mudança radical é que a prova será unificada. Isso significa que, com uma única nota, os alunos poderão tentar o ingresso em mais de uma faculdade. Cabe a cada universidade, seja ela pública ou particular, decidir se vai adotar o modelo ou manter o vestibular. Mas a tendência é de mudança. Um levantamento feito por VEJA com 51 dos 55 reitores das federais mostra que 48 pretendem adotar o novo modelo. Destes, 25 querem que a adoção se dê ainda em 2009. Entre as faculdades particulares, pelo menos 500 também vão aderir já. Isso é 25% do total.
Ana Araujo
Anúncio oficial
O ministro Fernando Haddad, em reunião com reitores das universidades federais, na semana passada: 48 querem adotar o novo Enem

A angústia de quem está às vésperas de disputar uma vaga no ensino superior é justamente saber que rumo dar aos estudos. Como muitas universidades de renome não vão abandonar o vestibular em 2009, a exemplo de Unicamp e USP, será preciso manter o plano de aprendizado atual – mas também exercitar um modelo diverso de raciocínio. A implantação do novo sistema de avaliação do MEC implica uma mudança de filosofia substancial – e, sob muitos aspectos, boa. A prova deixará de exigir dos alunos quantidades colossais de informação para priorizar o raciocínio e a capacidade de solucionar problemas em quatro áreas do conhecimento. As linhas mestras já estão dadas, como explica Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, órgão do ministério responsável pelo exame: "A prova ficará no meio do caminho entre o excesso de informações cobradas no vestibular e o pouco conteúdo do antigo Enem. Testará mais a capacidade de solucionar problemas da vida real do que o conhecimento acumulado". Dá para entender melhor o espírito do novo Enem a partir das questões publicadas com exclusividade por VEJA nesta reportagem (veja o quadro). Feitas pelo MEC, elas são um modelo de como as matérias do ensino médio passarão a ser avaliadas.

Alexandre Schneider

67 horas de prova
O novo sistema unificado de vestibular quer poupar os alunos de maratonas como a enfrentada por Priscila Kondo, 19 anos. Em 2008, ela encarou dezessete provas em cinco universidades. Não passou na medicina da USP, sua primeira opção. Vai tentar de novo

Tradicionalmente, o que torna o momento do vestibular ainda mais difícil para os estudantes é a maratona de provas que eles são obrigados a enfrentar. Mesmo que muitas instituições preservem seus concursos, a situação ficará, sem dúvida, melhor com o novo exame unificado. É algo que tem impacto direto na vida de estudantes como Priscila Kondo, 19 anos, que em 2008 fez nada menos que dezessete provas em cinco universidades. Juntas, elas consumiram 67 horas, número que Priscila não esquece. "Eu estava em frangalhos. Foi desgastante", diz ela, que, embora tenha sido aprovada em dois dos concursos, preferiu estudar mais e tentar, outra vez, entrar na faculdade de medicina da USP. Além de minimizar esse sufoco, o sistema unificado pode trazer outro benefício para os estudantes. Quem quiser terá a chance de pleitear vagas em mais estados, sem que precise cruzar o país para fazer uma prova. Com um sistema pulverizado, como é hoje o do vestibular, os estudantes brasileiros praticamente não cogitam estudar numa faculdade longe do estado em que moram. Para efeito de comparação, nos Estados Unidos essa é a opção de 20% dos jovens. No Brasil, ela não passa de 0,04%.

Esse ganho de mobilidade dos estudantes também interessa às universidades. Hoje, pouquíssimas instituições, como Unicamp e ITA, têm vestibulares espalhados por várias cidades do país. O investimento delas atende a um propósito claro: poder escolher em meio a um universo maior de estudantes, o que aumenta as chances de essas instituições conseguirem atrair um número maior de ótimos alunos. Com o sistema unificado, é bem possível que os melhores estudantes de todas as partes do país passem a procurar as universidades de maior excelência. Essas, certamente, vão se beneficiar disso – e vice-versa. "O ensino é sempre melhor onde estão os bons alunos", diz a antropóloga Eunice Durham. Ela e outros especialistas compartilham o temor de que as faculdades menos prestigiadas, encravadas em áreas mais pobres, fiquem, por sua vez, apenas com os piores estudantes. Há probabilidade de isso acontecer, mas o efeito, a longo prazo, não será necessariamente ruim. "É um incentivo para que as universidades mais fracas melhorem", diz o especialista Gustavo Ioschpe. Pode ser bom para o ensino.

Roberto Setton

Tudo na base da fórmula
Músicas e rimas são algumas das técnicas usadas pelos professores do cursinho Anglo, onde trabalha há dezessete anos o físico Marcelo Rodrigues. O objetivo é fazer os alunos fixar dezenas de fórmulas que caem no vestibular. "Com o novo Enem, essa decoreba pode estar com os dias contados", diz Marcelo

O vestibular não é exatamente um exame ruim. Os grandes concursos das melhores universidades do país se prestam bem à sua finalidade básica, de colocar na sala de aula os alunos mais aptos. Os cinco campeões em vestibulares de diferentes épocas que ilustram esta reportagem eram também os melhores estudantes na escola. Ao longo dos anos, as provas foram aprimoradas e algumas delas, como a da Unicamp, são exemplos de avaliação benfeita. Mas, para responder à maioria dos exames, requer-se ainda boa dose de decoreba, o que não é bom. Outro problema essencial é a quantidade de conteúdo cobrado, o que exige dos alunos o domínio de um número infindável de detalhes sobre as mais diferentes áreas. Poucos processos seletivos no mundo demandam dos jovens conhecimento sobre tanta matéria. Só na área de ciências, o vestibular cobra um currículo de setenta itens. Para se preparar para uma prova de química do vestibular, por exemplo, é preciso saber sobre vinte subáreas, lista que inclui atomística, propriedades coligativas, cinética, termoquímica e isomeria. Diz o professor Elcio Bertolla, que dá aula dessa disciplina no Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo: "É um verdadeiro massacre. Só quem vai seguir a carreira de químico precisa saber tanto".

Alexandre Schneider

O massacre da química
O professor Elcio Bertolla, que ensina a disciplina no colégio Porto Seguro, em São Paulo, precisa dar conta de um currículo que inclui vinte itens, como isomeria, funções orgânicas e radioatividade. Tudo cai no vestibular. "Essa quantidade de matéria só faz sentido para quem quer seguir a carreira de químico"

O excesso de matérias exigidas no vestibular tem um efeito desastroso sobre as escolas brasileiras. Para tentarem contemplar tudo o que cai no exame, elas produzem currículos gigantescos, baseadas na ideia de quanto maior, melhor. Em poucas escolas de ensino médio do mundo se ensina tanta física, química, biologia, matemática. Noutros países, a grade de matérias é bem mais diversificada e flexível. Pode soar como uma vantagem brasileira, mas é exatamente o oposto. Primeiro, por uma impossibilidade prática. "A pretensão de ensinar tudo em tão pouco tempo resulta num ensino superficial, em que não se aprende é nada", diz o consultor Roberto Lobo, ex-reitor da USP. As provas internacionais que comparam o Brasil a outros países reforçam essa ideia. Os brasileiros estão sempre atrás. O segundo problema em incluir tantos assuntos no currículo é mais conceitual. O saber enciclopédico perdeu um pouco do sentido numa sociedade moderna em que informações são facilmente acessadas na internet e se transformam a uma velocidade avassaladora, conforme a ciência avança. "Mais importante que estocar conhecimento é, sem dúvida, saber ordenar tantas informações disponíveis e chegar a uma conclusão", afirma o alemão Andreas Schleicher, que comanda o Pisa, prova internacional que compara o desempenho dos estudantes em sala de aula e que também serviu de inspiração para o novo Enem.

Gilberto Tadday

Doutor antes dos 30
O pernambucano Avishek Adhikari, 26 anos, passou em primeiro lugar para o curso de química da USP. Conseguiu depois uma vaga no concorrido doutorado em neurociências da Universidade Columbia, em Nova York, onde estuda hoje

A mudança no vestibular pode, portanto, contribuir para a necessária melhora do ensino médio – e ajudar a livrar as escolas brasileiras da velha cultura da decoreba. É uma prática nos colégios desde o Brasil colônia. Na década de 50, o prêmio Nobel de Física Richard Feynman (1918-1988) observou o mesmo durante uma visita ao Brasil para investigar o nível de conhecimento dos alunos às vésperas do vestibular. Feynman ficou assombrado com a quantidade de fórmulas que eles tinham decorado, mas também com a total incompreensão do seu significado. Relatou o fato num livro em que concluiu: entre estudantes do mundo inteiro, os brasileiros eram os que mais estudavam física no ensino médio – e os que menos aprendiam a matéria. Cenário que permanece atual. Já pensou se o prêmio Nobel soubesse que nos cursinhos pré-vestibulares a fórmula do movimento retilíneo uniforme (S=So+VT) é apresentada aos alunos como "sorvete", para ajudar a fixá-la? Com o novo Enem, a abordagem deverá ser outra. "Agora todos vão ter de se preocupar com a contextualização dos fatos", admite Marcelo Rodrigues, professor de física do Anglo. Esse e outros cursinhos no país vão oferecer aulas específicas para o novo exame ainda neste ano, uma mudança cara. O treinamento dos professores é custoso – representa cerca de 10% dos custos fixos do negócio – e ainda será preciso produzir novo material didático. "Há uma equipe de 250 professores a postos para fazer a mudança", diz o diretor do Positivo, Renato Ribas Vaz.

Lailson Santos

Campeão da medicina
Professor universitário e diretor do Hospital das Clínicas, o patologista Venâncio Alves, 53 anos, ficou no topo em três vestibulares de medicina no ano de 1972: Universidade de São Paulo, Santa Casa e ABC. O concurso na época dele tinha uma fase só, com testes de múltipla escolha de cinco disciplinas

O simples anúncio do MEC também provocou efeito imediato nas universidades. Temerosos de perder a receita proveniente das inscrições para o vestibular, os reitores das instituições federais se adiantaram em pedir ao ministro Fernando Haddad reposição do dinheiro – e conseguiram. Resolvida essa e outras preocupações de natureza mais técnica, alguns dos reitores avisaram que gostariam de aderir. A quantia obtida com as taxas de inscrição, que num concurso como a Fuvest gira em torno de 2,5 milhões de reais, é pequena perto do orçamento das universidades. O dinheiro do vestibular, no entanto, é livre de carimbos, coisa rara nessas instituições. No encontro dos reitores com o ministro em Brasília, na semana passada, parte deles também reclamava do prazo apertado para implementar a mudança. Algumas universidades já estavam até com seus editais prontos. Por isso, só vão usar o novo Enem no ano que vem. "Precisamos ter cautela. Na academia, os assuntos são mais discutidos e o ritmo é mais lento", diz Olinda Assmar, reitora da Universidade Federal do Acre. Acelerar o processo é justamente o que quer o MEC. Para conseguir deixar a prova pronta a tempo, uma equipe de quarenta pessoas tem passado as madrugadas no ministério só fazendo isso.

Alexandre Schneider

Esforço recompensado
A dedicação de doze horas de estudo por dia rendeu a Eduardo Famini o primeiro lugar no vestibular do Instituto Militar de Engenharia: "Li o edital do concurso e fiz dezenas e dezenas de simulados". Aos 25 anos, ele tem um bom emprego numa consultoria

O sistema unificado de admissão às universidades é algo que o Brasil começa a fazer com atraso em relação ao resto do mundo. Já é assim no Chile, no Japão, na China e em grande parte da Europa. Nos Estados Unidos, remonta a 1900 a formação de um colegiado das principais instituições de ensino superior para criar um exame único de admissão. Ao longo de décadas, o grupo aprimorou as diretrizes da avaliação e, em 1926, o SAT – sistema com o qual o modelo proposto no Brasil guarda semelhanças – foi aplicado pela primeira vez. Nesse tempo, a seleção no Brasil ainda era feita por uma banca examinadora que aplicava prova oral. Situação possível num momento em que poucos brasileiros concluíam o ensino médio e era baixíssima a procura nas universidades. A consolidação de um sistema nacional de admissão atende às novas necessidades do ensino superior no país, que cresce a cada ano. Apenas nos últimos vinte anos, o número de estudantes que passaram a tentar ingressar no ensino superior triplicou. Depois de um século, esta será a primeira vez que grande parte dos candidatos não fará mais o velho vestibular.

Alexandre Schneider

Dona do próprio negócio
Em 1998, a administradora Aline Lex passou em primeiro lugar no vestibular da Fundação Getulio Vargas. Completou a formação no concorrido mestrado de economia da PUC-Rio. Durante cinco anos trabalhou em grandes bancos, na área de investimentos. Em janeiro, abriu uma loja. "Era o meu sonho"

Marcelo Rudini

Prontos para mudar
Renato Vaz, do cursinho Positivo: aulas voltadas para a nova prova

16 respostas sobre o novo exame

Como funcionará o novo sistema de seleção proposto pelo Ministério da Educação (MEC) – e que começa a ser adotado por algumas universidades federais e particulares ainda neste ano

Ilustração Stefan


1. O que cairá no novo Enem?

Serão 200 questões de múltipla escolha divididas em quatro áreas do conhecimento (ciências naturais e humanas, linguagens e matemática), além de uma redação. O exame abrangerá menos assuntos do que o vestibular, mas falta o MEC dizer o que vai ficar de fora.

2. O que deve estudar alguém que vai tentar o ingresso, nos próximos meses, numa universidade que aderir ao modelo?
Na ausência de uma definição mais específica sobre o que será exigido na nova prova e quais as instituições que vão adotá-la, o ideal é preparar-se tanto para o vestibular quanto para o atual Enem (cujos simulados podem ser encontrados no site do MEC). A velha versão do exame testa apenas habilidades mais gerais, como a capacidade de interpretar textos e de solucionar problemas da vida real, e muito pouco conteúdo específico. Do antigo Enem, a nova prova manterá a contextualização das questões – mas elas passarão a ser 100% calcadas nas disciplinas do ensino médio.

3. Os cursinhos vão preparar os alunos para o novo Enem ainda neste ano?
Sim. Quatro das maiores redes do país afirmaram a VEJA que vão fazer adaptações nas aulas e no material didático de modo a treinar os alunos para o novo exame.

4. O Enem passará a ser o único critério para a seleção nas universidades que o adotarem?
A decisão caberá a cada instituição. O MEC propõe dois modelos. No primeiro, as universidades podem usar o resultado da prova como preferirem, inclusive fazendo uma segunda fase própria. A outra opção é aderir ao Sistema de Seleção Unificado. Neste caso, é necessário que o Enem seja a única etapa do processo seletivo. As vagas ficam disponíveis em um sistema eletrônico de inscrição, válido para todo o país.

5. É possível usar o mesmo Enem para se candidatar a uma vaga em diferentes universidades?
Sim. Este é exatamente o propósito da prova nacional. No entanto, nos casos em que a universidade aderir ao Sistema Unificado haverá um limite de até cinco opções por candidato, que devem ser colocadas em ordem de preferência. As vagas de um curso serão oferecidas antes àqueles estudantes que o tiverem escolhido como primeira opção.

6. Como saber se a nota obtida no exame será suficiente para o ingresso num curso?
Esta é uma das principais mudanças do sistema proposto pelo MEC: o aluno receberá sua nota antes de se inscrever nos concursos das faculdades e poderá, ainda, consultar as médias dos demais candidatos à vaga que ele deseja. Isso será feito por meio do sistema on-line de inscrições, onde tais informações estarão abertas a consulta. Assim, o candidato passa a ter uma visão muito realista de suas chances no processo seletivo.

7. Pessoas que se formaram na escola há mais tempo podem fazer o novo Enem?
Sim. Qualquer pessoa com diploma de conclusão do ensino médio pode se inscrever – não importa a idade.

8. Quando será divulgada a lista das universidades federais que vão adotar o novo sistema em 2009?
O prazo-limite é até o fim de abril, uma vez que, caso optem pelo vestibular tradicional, as instituições precisam ter tempo hábil para formular as provas e organizar o concurso. VEJA ouviu 51 dos 55 reitores de universidades federais. Destes, 25 são favoráveis à mudança neste ano, mas falta submeter a questão aos respectivos conselhos.

9. Faculdades estaduais e particulares também podem aderir?
Sim. Na semana passada, o ministro Fernando Haddad se encontrou com dirigentes de instituições estaduais e particulares justamente para tentar atraí-las. Mais de 500 particulares já avisaram que vão aderir. A USP e a Unicamp, que têm os dois maiores vestibulares do país, vão ficar de fora, pelo menos em 2009.

10. Uma nota ruim no Enem pesará contra o estudante?
Não. É do aluno a decisão de apresentar o resultado às universidades – ou simplesmente ignorá-lo e fazer uma nova prova. Não há limite de vezes para tentar o Enem.

11. Qual será a periodicidade do Enem?
Neste ano, haverá só um, nos dias 3 e 4 de outubro. Em 2010, o MEC pretende aplicar pelo menos dois. A meta é chegar a sete por ano, como o SAT, modelo americano no qual se inspira o novo Enem.

12. Se o aluno quiser tentar a transferência de curso ou de faculdade terá de fazer o Enem?
Não necessariamente. Hoje, cada universidade tem um sistema próprio para selecionar os alunos que pedem transferência. Algumas avaliam o boletim da faculdade, outras aplicam um teste. Se quiserem, poderão também considerar a nota no novo Enem. Nesse caso, quem não tiver realizado o exame precisará fazê-lo.

13. Por quanto tempo a nota da prova será válida?
O MEC ainda não bateu o martelo, mas a tendência é que feche o prazo em três anos. Nesse período, o aluno pode apresentar a mesma nota às universidades. Como o Enem é um exame padronizado, ao contrário do vestibular, estatisticamente é possível, sim, comparar as médias de alunos que realizaram provas em anos diferentes.

14. Quem vai elaborar e corrigir as provas?
O Inep, órgão ligado ao MEC que já cuida de outras avaliações oficiais, como o próprio Enem. Uma comissão de especialistas ajudará a estabelecer o conteú-do do exame. Uma empresa especializada em aplicação de provas, que será definida por licitação, ficará encarregada da logística do concurso.

15. Se o candidato fizer o Enem durante o ensino médio, ele poderá guardar a nota para quando se formar?
Não. A nota só será válida para aqueles estudantes que já completaram o ensino médio.

16. Haverá alguma mudança nas universidades que já adotam cotas?
Não muda nada. Cotistas e não cotistas terão de fazer a mesma prova.


Fonte: http://veja.abril.com.br/150409/p_070.shtml

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A informática e o mercado de trabalho

Oi pessoal,

Estou postando aqui um trabalho que o meu primo me pediu para que o endereço do meu blog seja sua referencia bibliográfica. Também gostei muito do conteúdo e espero que todos gostem:


O mercado de trabalho está muito competitivo, pessoas brigam por uma vaga para demonstrar que são boas no que fazem. Com toda a evolução que vemos nos dias atuais, as vagas no mercado são reduzidas não só pela grande procura e atualmente a grande crise mundial, mas também pelo fato da informática entrar em campo. A informática proporciona um avanço muito grande ao mercado de trabalho, através da robótica e da produção de máquinas que substituem o trabalho de diversas pessoas por exemplo.

Atualmente, não só profissionais, mas também jovens, crianças e adultos, podem usufruir da informática no seu dia a dia, isto porque pessoas realizam pesquisas de maneira mais rápida, professores têm seu trabalho um tanto facilitado com dicas de planejamentos de aula na internet, entre outros.

A informática tem ampliado a visão dos profissionais, pois facilita o acesso dos mesmos a informação, além de facilitar diversas tarefas, como por exemplo: ao invés de anotações em uma pequena agenda, onde há risco de perca de informações, usa-se o computador para digitá-las; gráficos, planilhas e documentos são feitos de forma fácil, simples e prática; projetos de casas são feitos por programas de arquitetura; atividades e compromissos agendados no computador; realização fácil de comunicação de empresas entre si através de e-mail, entre tantas outras.

Em outras palavras, a informática se relaciona de maneira bastante agradável no mercado de trabalho, hoje em dia, para ser contratada, a pessoa deve ter ao menos os conhecimentos básicos de informática. Apesar de até agora observarmos apenas pontos positivos, logo podemos citar um ponto negativo: o aumento de sedentarismo. Não podemos negar que todos já nos habituamos a usar e abusar deste ramo tecnológico que empolga cada vez mais pessoas: a informática.

O trabalho realizado pelos profissionais de hoje em dia com a ajuda do computador, tem facilitado muito o atendimento ao consumidor e proporcionado bastante facilidade na realização de algumas tarefas.

Agora, como exemplos, veremos a análise de quatro profissões que foram beneficiadas graças a informática e compará-los com os métodos antigos:

· Secretárias: atualmente, as secretárias registram tudo no computador, compromissos de seu chefe, responsabilidades, o que precisa de manutenção, folhas salariais entre outras coisas, já que o computador é um armazenador de dados muito seguro e confiável, com dificuldade de perca de informações. Tudo isso é realizado com a maior facilidade, porém, antigamente, não havia tanta facilidade assim. As secretárias tinham de ter bastante agilidade para registrar a mão, tudo que fosse de interesse da empresa, em um caderno, o que ainda precisava de organização para ter fácil compreensão e tinha facilidade na perca, isto é, no extravio de informações.

· Escritores: atualmente, os escritores têm sua vida um tanto facilitada, isto porque ao pensar em produzir um livro, não perdem tempo com rascunhos, que podem ser perdidos facilmente, mas digita-os, através do computador, onde ganham mais um fator de ajuda, sendo este na ortografia, pois programas responsáveis pela digitação de textos fazem a análise ortográfica, evitando erros e deslizes. Antigamente não havia toda essa facilidade, pois se perdia muito tempo ao escrever a mão, o conteúdo de um livro prestes a ser lançado, além de conter muitos erros ortográficos. Posteriormente, as coisas melhoraram com a chegada da máquina de datilografia, mas mesmo assim, um grande inimigo permanecia, os erros ortográficos.

· Advogados: atualmente, com a grande ajuda do computador, os advogados conseguem localizar de forma mais rápida e fácil, determinados documentos relacionados a algum processo, além de ser uma forma privada, isto é, segura de manter seus arquivos sob sigilo e com a certeza da difícil perca dos mesmos. Atualmente, ainda podemos ver em alguns casos e processos, uma pilha de papéis sobre a mesa do juiz, mas em muitos outros casos, os advogados e relatores usam notebooks para acompanhar o processo da melhor maneira possível. Antigamente, havia demora na abertura de diversos processos, pois existia dificuldade na localização de diversos documentos.

· Economistas: atualmente, o computador além de proporcionar lazer e registro de informações, ajuda outros profissionais, os economistas. Com a ajuda do computador, realizam cálculos de maneira rápida, o que dificulta erros de cálculo e dificuldade nos mesmos, em relação a isso, o computador ajuda até a realizar estatísticas, fazendo-as durar o mínimo possível. Antigamente, no cálculo realizado pelos economistas era fácil encontrar vários erros, além de ter até uma dada desorganização nos cálculos, estatísticas demoravam 10 anos para serem realizadas, tudo isso pela demora da realização de cálculos, que já não acontece mais, pois o computador tem ajudado bastante.

Por: John David da Silva maia Ferreira

quinta-feira, 26 de março de 2009

A PALAVRA ...


A palavra...

Como é grande o seu poder!

Sua magnitude suprema!

Consegue descrever a alma,

E a transforma em ensinamentos.

Doce num romance

E amarga num anúncio funerário.

A palavra é o espelho Do que se passa em minha mente.

É a arte que modifica o ser

E me põe a pensar:

Como Assim?

Por que?

Será?

O que é a palavra,

Senão um emaranhado de letras.

O que é a frase,

Se não um emaranhado de palavras.

O que é o pensamento,

Se não um emaranhado de frases,

Que se entrelaçam em minha mente

E se transformam em signos

Repletos de significados

Que me enche de vida e magia

E me faz flutuar...

Pedro Felipe de Lima Henrique

domingo, 22 de março de 2009

“Carta ao Ministro da Educação”, por Clarice Lispector.

Olá Pessoal.

Sabemos que hoje, para se entrar em uma universidade com o objetivo de cursar o ensino superior, é realizada uma seleção de alunos devido ao número limitado de vagas chamado de vestibular. Vasculhando a net, encontrei uma carta que Clarice Lispector escreveu para o Ministro da Educação em 1968. Achei-a interessante e concordo inteiramente com a opinião desta escritora de renome na esfera literária do nosso país.



“Carta ao Ministro da Educação”

“Em primeiro lugar queríamos saber se as verbas destinadas para a educação são distribuídas pelo senhor. Se não, essa carta deveria se dirigir ao presidente da República. A este não me dirijo por uma espécie de pudor, enquanto sinto-me com mais direito de falar com o ministro da Educação por já ter sido estudante.

O senhor há de estranhar que uma simples escritora escreva sobre um assunto tão complexo como o de verbas para educação – o que no caso significa abrir vaga para os excedentes. Mas o problema é tão grave e por vezes patético que mesmo a mim, não tendo ainda filhos em idade universitária, me toca.

O MEC, visando evitar o problema do grande número de candidatos para poucas vagas, resolveu fazer constar nos editais de vestibular que os concursos seriam classificatórios, considerando aprovados apenas os primeiros colocados dentro do número de vagas existentes. Essa medida impede qualquer ação judicial por parte dos que não são aproveitados, não impedindo, no entanto, que os alunos tenham o impulso de ir à ruas reivindicar as vagas que lhe são negadas.

Senhor ministro ou senhor presidente: “excedentes” num país que ainda está em construção? ! e que precisa com urgência de homens e mulheres que o construam? Só deixar entrar nas Faculdades os que tirarem melhores notas é fugir completamente ao problema. O senhor já foi estudante e sabe que nem sempre os alunos que tiraram as melhores notas terminam sendo os melhores profissionais, os mais capacitados para resolver na vida real os grandes problemas que existem. E nem sempre quem tira as melhores notas e ocupa uma vaga tem pleno direito a ela. Eu mesma fui universitária e no vestibular classificaram-me entre os primeiros candidatos. No entanto, por motivos que aqui não importam, nem sequer segui a profissão. Na verdade eu não tinha direito à vaga.

Não estou de modo algum entrando em seara alheia. Esta seara é de todos nós. E estou falando em nome de tantos que, simbolicamente, é como se o senhor chegasse à janela de seu gabinete de trabalho e visse embaixo uma multidão de rapazes e moças esperando seu veredicto.

Ser estudante é algo muito sério. É quando os ideais se formam, é quando mais se pensa num meio de ajudar o Brasil. Senhor ministro ou presidente da República, impedir que jovens entrem em universidade é crime. Perdoe a violência da palavra. Mas é a palavra certa.

Se a verba para universidades é curta, obrigando a diminuir o número de vagas, por que não submetem os estudantes, alguns meses antes do vestibular, a exames psicotécnicos, a testes vocacionais? Isso não só serviria de eliminatória para as faculdades, como ajudaria aos estudantes em caminho errado de vocação. Esta idéia partiu de uma estudante.

Se o senhor soubesse do sacrifício que na maioria das vezes a família inteira faz para que um rapaz realize o seu sonho, o de estudar. Se soubesse da profunda e muitas vezes irreparável desilusão quando entra a palavra ‘excedente’. Falei como uma jovem que foi excedente, perguntei-lhe como se sentira. Respondeu que se sentira desorientada e vazia, enquanto ao seu lado rapazes e moças, ao se saberem excedentes, ali mesmo começaram a chorar. E nem poderiam sair à rua para uma passeata de protesto porque sabem que a polícia poderia espancá-los.

O senhor sabe o preço dos livros para pré-vestibulares? São caríssimos, comprados à custa de grandes dificuldades, pagos em prestações. Para no fim terem sido inúteis?

Que estas páginas simbolizem uma passeata de protesto de rapazes e moças.”

Clarice Lispector, 17 de fevereiro de 1968